segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

HOMOSSEXUALISMO, HOMOSSEXUALIDADE E JUSTIFICAÇÃO


INTRODUÇÃO


Antes de fazermos as considerações sobre a homossexualidade, gostaríamos em primeiro lugar declarar que há uma diferença entre homossexualidade e homossexualismo e o que está por trás deste movimento.



O HOMOSSEXUALISMO


O homossexualismo é uma filosofia de vida, uma ideologia cuja tentativa é propagar uma idéia no mundo. Sendo uma ideologia pretende fazer a cabeça de muita gente. A ideologia visa assegurar uma determinada relação dos homens entre si e com suas condições de existência.



No homossexualismo a proposta é tornar aceita a ideologia que a união entre iguais tem a mesma proposta da união entre diferentes. Por isso e como cristão, nos colocamos categoricamente contrário ao movimento ideológico gay que é uma pregação contrária ao ideal de Deus. Contudo, a homossexualidade vemos sobre outra ótica.


A HOMOSSEXUALIDADE

A homossexualidade é um estado, uma condição não opcional. A homossexualidade possui um caráter irreversível, enquanto o homossexualismo é uma apologia ideológica. Uma tentativa de mudar paradigmas.


A HOMOSSEXUALIDADE NOS TEMPOS DE JESUS



Não encontramos nenhum relato bíblico sobre a homossexualidade nos tempos de Jesus, contudo, não se pode negar que a condição do homem sempre foi a mesma dos dias atuais. Seria uma grande tolice achar que nos tempos dele não havia homossexuais.


ADOÇÃO DE CRIANÇA POR HOMOSSEXUAIS


Se a criança já foi adotada não há nada a fazer nem dizer. O “evangelho legalista” talvez dirá: “manda para a FEBEM ou submeta-a a outro lugar.”


A criança deve ser criada como o pai e a mãe cria, com respeito e dignidade sem a ideologia sexista. Sempre indicando a ela o padrão de Deus: homem e mulher. O homossexual honesto ensinará a criança que a homossexualidade não é o ideal de Deus, e ao mesmo tempo informá-la que ser homossexual não é uma opção. A criança precisa entender como tudo isso acontece e aconteceu sobre a relação homo afetiva. A criança em momento algum deve ser enganada.


O HOMOSSEXUAL EUNUCO


Acredito que o homossexual pode se tornar um eunuco, assim como o saudoso Padre Henri Nowen autor de vários livros e homem de profunda espiritualidade e de vida piedosa. Lutou contra sua sexualidade acirradamente por te conhecimento que era homossexual. Muito embora a sua homossexualidade tenha sido conhecida por aqueles que eram próximos a ele, ele jamais deixou publico sua identidade homossexual. Apesar de Nouwen, nunca ter tratado do tema de sua sexualidade em seus escritos publicados durante a sua vida, ele reconheceu seus dilemas nessa área, em discussões com amigos isso foi abordado na biografia escrita por Michael Ford, jornalista da BBC, chamada O Profeta Ferido que fora publicada após a morte de Nouwen. Ford sugere que Nouwen se tornou completamente pacificado com sua tendência sexual nos últimos anos de sua vida, e que por um outro lado, sua depressão foi causada em partes por esse conflito entre seu voto de celibato e o sentimento de solidão e necessidade de intimidade que ele vivenciara. Ford conjecturou Isso se tornou um enorme jogo emocional, espiritual e físico em sua vida, e pode ter contribuído para a antecipação da sua morte.





Não há possibilidade de um eunuco homossexual deixar de ser homo afetivo. Não é o ato, a prática que caracteriza o que se é, mas o que sentimos e está intrínseco à subjetividade. Por exemplo: O mal que Paulo, o apóstolo, não queria fazer e continuamente estava praticando está relacionado a sua subjetividade e a incapacidade de vencer o que não desejava (Rm 7.19). Identificar o bem e querer fazê-lo e perceber o mal não querendo realizá-lo, mas optar por este e praticá-lo, evidencia que o gozo paulino se caracterizava em fazer o que aparentemente não se queria. Não há conhecimento do que levava o Apóstolo a tanto conflito, mas era uma luta entre querer e fazer enquanto aqui ele vivesse. Como exigir responsabilidade de quem não a possui e consequentemente interditado, na sua subjetivida, para realiazar o bem desejado? O apóstolo se sentia sem oself-determination para decidir ao que desejava realizar. No dizer freudiano “o eu não é senhor de sua própria casa”





O homossexual cristão que não consegue a eunucocidade deve procurar ter uma vida com discrição, evitando trejeitos femininos, se requebrando, com a munheca prá lá e prá cá, isto é, evitando toda manifestação de bichice. Ele precisa respeitar a heterossexualidade, projeto de Deus. Para evitar situações de constrangimento na condição homossexual o homo afetivo sentir-se-á mais à vontade num ambiente eclesiástico que tenha uma aceitação flexível à realidade da sua homossexualidade.





UM PAI DE FAMÍLIA





Os princípios éticos e morais teriam o poder de determinar aquilo que o ser humano tem de ser? Como o homem conseguiria trocar a sua essência baseado em princípios que fogem completamente a sua capacidade de realizar? Vejamos o drama de um pai:


Um pai de família anônimo deu uma entrevista à revista Christianity Today de março de 2002, declarando a sua fé em Jesus, sendo ele um pastor, casado, com um casal de filhos maravilhoso e uma esposa magnífica, todavia ele era gay. Gay, não porque praticava o ato, mas porque sentia o desejo de se relacionar com outro homem, como fazia no passado. Ele era homossexual porque sentia não porque fazia, declarou. Vivia um enorme conflito entre realizar e não realizar.


Observemos então que se alguém considerar o praticar, o ato, como desvio moral nas condições desse pai de família, vale então ressaltar que a realidade não está no efeito e sim no sentimento. O praticar é tão somente a consumação do desejo. Por isso ele muito honestamente declarou ser por sentir o desejo. Teria esse pai a opção de não sentir esse desejo? Seria a homossexualidade uma escolha um querer de ser uma coisa para ser outra?



Certa ocasião um psiquiatra deu a seguinte declaração: “ Se alguém disser que já foi homossexual e que hoje não o é por ter sido curado através de um milagre, classifico-o como um grande mentiroso e ainda mais, ele nunca foi homossexual ele era um depravado”.




O Psiquiatra consegue perceber a diferença entre ser homossexual e ser depravado. Ele não está errado! Muitas das vezes são bastante parecidos, todavia, não são a mesma coisa. A homossexualidade não é doença, por isso não tem cura. Há patologias classificadas como incuráveis, entretanto, não podemos ignorar que milagres ainda acontecem. Deus não está morto! Contudo, nunca ouvi falar de homossexual convertido ao cristianismo que tenha sido “curado” ora, se não é doença, logo não necessita de cura. Segundo alguns estudiosos da esfera psicanalítica, o homossexualismo é um comportamento adquirido, por uma criança num período etário entre dois a cinco anos de idade, cuja presença do pai, avô, tio, ou seja nenhum referencial masculino foi por ela identificado, no âmbito familiar. Essa criança (menino ou menina) teve como contemplativo durante esses anos, a mãe, provavelmente as tias, avós, ou seja, todo um círculo feminino. A criança passará a ser o pai do adulto.


A METÁFORA DO FALO


A inexistência da representação onipotente metafórica do falo é vista pela psicanálise o aspecto gerador à homossexualidade. Mas o que seria isso? A criança na fase de 2 a 6 anos de idade que não teve a presença do pai, do masculino, interagindo, ainda que este estivesse no mesmo espaço geográfico. Segundo a teoria psicanalítica na maioria das vezes torna-se homossexual, tanto menino quanto menina a ausência paterna. A representação fálica, ainda que seja como metáfora, manifesta a ausência máscula não percebida pelo infante na faixa etária mencionada. Após o período de latência, termo este que significa o estado daquilo que se acha encoberto, incógnito, não manifesto, adormecido. Após esse período que vai até aproximadamente aos 11 anos, surge um novo momento o da puberdade. Neste período, a libido é impelida a se manifestar na busca daquilo que foi ausente durante os períodos de 2 a 6 anos de idade. Aproximadamente entre os 11 para 12 anos de idade o adolescente tende a procurar no outro, o falo ausente como necessidade da onipotência, da autoridade representada num membro viril, imposto e autoritário que o penetre como uma metáfora da ausência paterna. A homossexualidade nesse viés psicanalítico se resume na ausência onipotente metafórica do falo: o pai.







Alguns geneticistas, tentam através de pesquisas, encontrar na genética (do grego genno; fazer nascer), ramo da biologia que estuda a forma como se transmitem as características biológicas de geração para geração, a causa da homossexualidade. Contudo, encontramos aqui um questionamento a ser feito ao que concerne a relação biológica com aquilo que não se consegue vencer na subjetividade humana no dizer homossexual. A homossexualidade por não ser uma opção, estaria sob decisões genotípicas ou sob influências edípicas determinado por um comportamento adquirido?


TESTEMUNHOS


Qualquer testemunho em televisão ou rádio que alguém foi homossexual e agora não é mais porque crê em Jesus, não está baseado na verdade. Não existe ex-homossexual! Pode existir o ex praticante, mas não é a conjunção carnal que caracteriza a homossexualidade, mas a abscondidade subjetiva onde o conflito permanece frequentemente ao que concerne o desejo reprimido do querer praticar. Praticando ou não, a homossexualidade é. Não existe milagre para homossexualidade. Esta não é doença. Tanto a Organização Mundial da Saúde quanto ao CID 10 declaram que a homossexualidade não se encontra dentro do quadro das patologias.



Se o desejo do convertido ao cristianismo é pautar sua vida numa normose ético-cristã, cabe a ele ter domínio sobre o seu desejo. A conversão ao cristianismo não tem a intenção de pontuar o deixar de ser. Conversão não é sublimação. Conversão é ser o que Deus realizou. O desejo sempre será mais forte que a vontade. O conflito entre alguns homossexuais, assim como em outras esferas do comportamento será uma realidade, ainda que se evite a consumação de atos. Os desejos sempre serão reais no mundo subjetivo em qualquer ser humano. O ser humano é o que está sentindo, no momento que sente. A sublimação é um meio utilizado para mudar o rumo do desejo, só que ela não permanece por muito tempo. O que é, reclama a sua autonomia. Disse o francês Felipe Nériucault: Chasses Le naturel, Il revient au galop ( expulsai o natural, ele virá a galope). A heteronomia imposta sobre o subjetivo será transgredida ela não se sustenta. Como diz a letra do cantor Fagner: "Quando a gente tenta de toda maneira ter em si guardar sentimento ilhado morto e amordaçado volta a incomodar". O homossexualismo é um comportamento adquirido, ainda que a pessoa deseja não ser, continua sendo, o cristianismo tem ajudado a muitos homossexuais convertidos viverem melhor com seus conflitos, não prometendo curá-los. A homossexualidade não é doença, como já foi dito anteriormente, logo, não existe nenhuma método profilático para evitá-lo, a não ser a presença, do macho em família, interagindo saudavelmente durante os primeiros cinco anos de idade da criança, segundo a teoria psicanalítica.





Diz a Psicanalista Regina Navarros Lins:“Um homem homossexual é aquele que tem como objeto de amor e desejo outro homem, mas isso não significa que ele se sinta mulher ou deseje ser mulher. A orientação afetivo-sexual é algo que está dentro da pessoa e não depende, ao contrário do que muitos pensam, de uma escolha pessoal. Ninguém faz opção por um modo de vida que sabe será discriminado. A escolha é se a pessoa vai esconder ou exteriorizar a sua orientação sexual. Uma pessoa é homossexual mesmo que nunca tenha tido contato sexual com alguém do mesmo sexo. Muitas vezes o desejo homossexual existe no inconsciente, mas a pessoa não sabe disso porque o desejo é reprimido. Em outros casos, o homossexual percebe sua atração pelo mesmo sexo e reconhece que essa atração sempre existiu. Pode acontecer da pressão social ser tão forte que ele renuncie à realização dos seus desejos e passe toda a vida insatisfeito e mesmo em desespero."

Em nosso consultório, temos tido algumas experiências de realidades homossexuais, a dizer-nos que não gostaria de ter tal sentimento, tal desejo, mas que percebem a impossibilidade de uma reversão à uma postura hetero permanente e desejante do diferente. Lembro-me de uma situação que um analisando nos disse: “ Eu não desejo ser, mas sou. O que faço?”


SER OU NÃO SER

É contrário a natureza anatômica do ser humano a cópula entre iguais. O pênis apesar da sua função excretora também possui uma anatomia para penetrar na vagina ou o ânus, este último caso a mulher concorde e goste. Contudo, o pênis não foi arquitetado por Deus, para introduzir o ânus do homem, embora seja semelhante ao da mulher, contudo, a história da humanidade surgiu com macho e fêmea. Adão e Eva e não Adão e Ivo. Mas como já explicado acima, nos casos reais de homossexualidade deve-se haver uma compreensão ética sem os rigores da religião contra a homossexualidade de que é difícil ser diferente quando há um histórico subjetivo adquirido. Ele se alicerça e se concretiza, não havendo como mudar tal situação. Quem é realmente homossexual nunca será heterossexual. E quem é realmente heterossexual nunca será homossexual. Se aplica então a filosofia do filósofo pré-socrático, Parmênides ao dizer: “O que é, é! O que não é, não é!” Não entra em consideração a exposição sobre a bissexualidade, que deve ser vista sobre outro ângulo do comportamento humano, que não foi aqui considerado.





ROMANOS





"...porque as mulheres mudaram o modo natural de sua relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade..." (Rm 1.26,27).





Há aqui algo importante a ser considerado. Os versos acima deixa claro a prática do comportamento homossexual entre mulheres e homens, contudo, não sendo eles homossexuais, mas devassos e corrompidos. Fazemos essa afirmação porque eles se relacionavam heterossexualmente. Os verbos acima em vermelho, evidencia a depravação. Os homossexuais não se sente atraídos pelos de sexo diferente. Contudo, vimos acima aquele pai que conseguiu formar uma família, mas sofrendo na sua realidade subjetiva, o conflito do PARECER-SER para a sociedade, o que NUNCA FOI. Ele age como hétero sendo homo. Diferente da situação que se encontra em Romanos 1. Neste tanto homem quanto mulheres deixam o uso natural, ora, eles permitiram fazer uma troca temporária. Ou seja, os cônjuges se relacionariam com iguais, por uma questão meramente depravatória, não sendo eles homossexuais.







"Porque as mulheres mudaram o modo natural de sua relações íntimas" "deixando o contato natural da mulher" Havia um conhecimento e intercurso heterossexual. Enfatizamos nos versos acima que há comportamento homossexual, isto é, relação sexual entre iguais, entretanto eles não eram homossexuais e sim depravados. O homem se relacionava com a mulher e a mulher se relacionava com o homem. Elas mudaram o modo natural de suas relações íntimas assim como os deixaram o contato natural da mulher. Logo, está muito evidente a promiscuidade, dos que faziam uso do meio natural para depravadamente se envolver numa relação homossexual sem que eles fossem homossexuais.





Há entre os homossexuais a dificuldade de aceitar o diferente. Em Romanos 1 está evidente uma relação de intercâmbio, de troca sem a existência de homossexualidade, mas de um sentimento perverso e pervertido.





JUSTIFICAÇÃO E INTERPRETAÇÃO MINUCIOSA DE I COR. 6.9-11



“Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus?Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus” (I Cor. 6.9-11 ARC).



"Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós; mas vos lavaste, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus. (I Cor. 6.9-11 – ARA).




"Vocês sabem que os maus não terão parte no Reino de Deus. Não se enganem, pois os imorais, os que adoram ídolos, os adúlteros, os homossexuais os ladrões, os avarentos, os bêbados, os caluniadores e os assaltantes não terão parte no Reino de Deus. Alguns de vocês eram assim. Mas foram lavados do pecado, separados para pertencer a Deus e aceitos por ele por meio do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus” (I Cor. 6.10-11- NTLH)



"Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus?" (I Cor. 6.9) . Quem não herdará o reino de Deus? Os injustos.


Quem são os justos? "Não existe justo, nem um só" (Rm 3.10) Então não existe nenhum ser humano que seja justo? NÃO! E aí como fica? Não fica! Só há justificados!


"Justicados, pois mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 5.1).

Quem são os injustos aqui nesses versos aos corintianos que Paulo classificou?


Em primeiro lugar, os injustos são os que não crêem, logo, não são justificados. Vejamos como o apóstolo classifica-os:


"nem imorais, idólatras (não unicamente as imagens em escultura), nem adúlteros (adultério tanto objetivo quanto subjetivo - praticado e desejado), nem ladrões (aqui se enquadra vários tipos) efeminados (neste caso são efeminados por serem depravados ou foge a capacidade de ser diferente?) homossexuais, etc.





"e estas coisas alguns de vós têm sido..." ( I cor 6.11). Algumas traduções como vimos acima diz: " tais fostes algum de vós" ou " éreis alguns de vós" e "alguns de vocês eram" Essas três traduções finais vão de encontro com a realidade do texto de I Cor. 6, numa tentativa de desfocar a verdade do seu contexto caracterizado por um moralismo ético religioso.





"mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus" (I Cor 6.11 parte conclusiva do verso). Além de santificados, justificados.





A conjunção adversativa “mas” que aparece no verso 11 não concordaria jamais com o sentido frasal “tais fostes” ou “ éreis alguns de vós”. A conjunção coordenativa adversativa possui a função de estabelecer uma relação de contraste entre os sentidos de dois termos ou duas orações. Logo, a tradução correta do texto com relação ao seu contexto é: "e estas coisas alguns de vós têm sido..."





Justificados no texto grego de I Cor. 6.11 é um verbo: aoristo do indicativo passivo efetivo. Isto quer dizer algo que se consumou na vida do cristão para sempre, reafirmado pela voz passiva que o verbo se encontra, ou seja, o sujeito sofre à ação, sendo assim, ninguém é justo, mas passa para a condição de justificado "em o nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus"


Os injustos que praticam os atos mencionados ou subjetivam não herdarão o reino de Deus.


Os justificados que praticam ou subjetivam as mesmas práticas, herdarão o reino de Deus. Entretanto, no v.12 do capítulo 6 de I Coríntios, lê-se: “Todas as coisas me são lícitas mas nem tudo me convém”


“ Boa parte das energias humanas são investidas no esforço da autojustificação. E, no entanto, quem acha que deve produzir a si mesmo facilmente acaba na frustração e no desespero. A justificação liberta o ser humano da necessidade de salvar a si próprio, bem como a tentação de condenar a si mesmo.”. Brakemeier



No livro, O Ser Humano em Busca de Identidade de Gottfried Brakemeier, lemos:

A justificação coloca minha relação com Deus um novo fundamento. Deus se torna relevante como quem, mesmo contra a recusa da sociedade, confere o direito de viver: ele me torna justo. Põe em ordem minha relação com ele, perdoando-me a culpa e readimitindo-me como filho ou filha. O Deus justificador é aquele que ‘da cova redime a tua vida e te coroa de graça e misericórdia’ (Sl 103.4). Ele dignifica o ser humano. Quem levar isto a sério só pode alegrar-se e louvar a Deus. O evangelho não só concede o direito à vida, ele também dá fundamento à vida e liberdade para viver. Ensina a gratidão pelo dom recebido e o respeito à vontade divina. Justificação por graça, acolhida na fé, dá início a um novo culto a Deus.


CONCLUSÃO



A justificação é o ato divino de nos substituir, de assumir a nossa culpa, tomar o nosso lugar e fazer por nós aquilo que não conseguimos realizar (Lucas 18.13).


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O QUE TEMOS VISTO




Do ponto de vista anatômico e fisiológico, a visão parece ser o mais simples dos sentidos. Certa ocasião dando uma aula sobre a Fenomenologia  ilustrei que numa noite de luar um homem ao dirigir-se para sua casa, achou ter visto outro escondido atrás de uma árvore. Receoso que pudesse ser assaltado retornou ao local de onde saiu e pediu auxílio a alguns amigos, que lhes acompanhou até o tal arbusto. Ao investigarem o local, perceberam que o clarão, projetado pela lua num galho da árvore, fez um formato de um homem. Fica aqui uma pergunta: Ele viu um homem atrás da árvore? Sim, viu! O percebível é existente. Ele estava lá? Não. Mas ele viu! Percebe-se que ao olharmos para uma mesma coisa não temos o mesmo retorno.  Então a visão não é tão simples assim. Ver o mundo é muito complicado. Não basta ter bons olhos para ver. “Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores”, dizia Alberto Caieiro.  William Blake certa ocasião declarou: “A árvore que o tolo vê não é a mesma árvore que o sábio vê”. Bernardo Soares também declarou: “Não vemos o que vemos. Vemos o que somos”. O que vemos é o mundo arranjado à nossa imagem e semelhança.
Uma companhia de cerveja colocou um divertido e inteligente comercial na televisão. Um rapaz entra num bar. No bar tudo é sinistro. As pessoas são tipos-mal-encarados. O barman é feio e grosseiro. O rapaz olha desconfiado para os lados. Pede uma cerveja. Dá um gole, e então, o milagre acontece: Tudo se transforma.  O bar fica alegre, todo mundo sorri, e o barman carrancudo se transforma numa moça linda. A teoria que está implícita no comercial é que agente vê segundo o que carregamos dentro de nós e isso se aplica a tudo na vida.
Há momentos na vida que agente olha para o outro e acha que está falando da gente e contra agente, por algum motivo que a minha consciência culpada me remeteu. Pode ser que o outro nem esteja pensando nisso. Mas na minha imaginação está falando de mim e quer me prejudicar de alguma forma. Meu ser se altera. Escondo-me.  Escondo-me de que?  Agente vê o que queremos ver. Há um gozo por de trás dessa visão maldosa da vida. A visão por ser particular é única do olhar.  Foi isso que aconteceu com o operário, do poema do Vinícius de Moraes. O operário via tudo mas não via nada, até que um dia ele conseguiu ver o que não havia visto:
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão -
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção
(...) Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

Fairbairn disse num dos seus textos que a vocação da psicanálise era exorcizar demônios. Não sei por que desta declaração, talvez porque os demônios tenham o poder da cegueira, mas afirmamos que a psicanálise é uma teoria sobre a cegueira e uma busca da experiência que faz os olhos abrirem. Para que as pessoas possam ver, em meio às coisas que sempre viram no seu cotidiano sem ver e vejam fragmentos de um paraíso perdido. Quando isso acontece (exceto quando há insistente resistência) o ser da pessoa tende a se transformar, porque lhe é acrescentado uma nova ótica, uma nova dimensão e um novo sentido à vida.  


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

LUTO




Escrever sobre o luto é algo apaixonante, porque nele podemos perceber, que na ausência do que se perde há dois sentimentos que se antagonizam o amor e a insatisfação. Nessas oscilações que conflitam com o nosso subjetivo, manifesta que o ser que amamos é o aquele que mais nos insatisfaz .Quando amamos uma pessoa, amamos sempre um ser híbrido, constituída de uma pessoa exterior em nosso convívio e pela sua presença fantasiada e inconsciente em nós. Como diz Rubem Alves: “Amamos uma pessoa não por aquilo que ela é, mas pelo manto de fantasia que a cobrimos” Certa ocasião a namorada falou ao seu namorado e escreveu no talão de cheque dele: “ eu te amo” e outra ocasião ela escreveu em pedaço de papel: “O amor surge de situações singelas e tão significativas que se perpetuam. Espero que nós dois estejamos sempre repletos de singelezas” Momentos de expressões e sentimentos categoricamente sinceros manifestos por ela. Tanto ele quanto ela se amavam.


Numa situação de muita beleza e esplendor, parecida “Lua de Mel”, distante de tudo e de todos, os ânimos se acirraram e aí veio o fim. Foi um começo muito lindo e um fim inadjetivável de dor e sofrimento prolongados em desafetos numa ilha onde o verde da mata e o azul do mar se intercambiavam diante dos olhos.

Um alfa sem ômega, era o amor naquela “Lua de Mel” que de repente tornou virada  insatisfação. Ela diz agora para ele: “ tudo acabou entre nós”. Daí em diante as coisas ficaram cada vez mais piores, havia uma inconformação de ambos os lados. Cada um com o seu motivo. Foi algo surreal, extremamente doloroso e de excessivo desequilíbrio. Ele se desestabilizou por não aceitar o luto. Para manter viva aquela relação, a luta, o litígio ainda que consciente da gravidade, era inconsciente da parte dele, o desejo da não orfandade. Contudo, as coisas só pioraram e tudo morreu, ou seja, houve um fim relacional entre ambos. O silêncio fúnebre se estabeleceu. Surge então a dor do luto. O que é o luto? O amor no luto permanece? O luto é manter vivo aquilo que já morreu.


A ressurreição só existirá à saudade que naquele momento existia! Ou seja o “morto” que não convive mais na mesma geografia, que vivia com seu ou sua amado (a), retornasse ao mesmo espaço ou de um ou do outro. No Réveillon deste ano de 2009, numa praia em Cabo Frio, um jovem disse para mim, que estava sofrendo muito há dois anos pela ausência da namorada que havia morrido. Ele afirmou: “Ela dentro de mim está viva porque eu ainda a amo”.
 Os acessos de dor que pontuam o luto são impulsos de um amor tenaz que se recusa a morrer.  O luto sendo a ausência, daquilo que se perde, não inviabiliza o amor. Toda e qualquer decisão para apagar o luto, usando de elemento substituível trará frustrações. Pois o amor ainda permanece.


O luto não se apaga em pouco tempo. Parece que é o que aquele jovem tem evitado, não mascarar o seu sentimento, dissimulando uma inexistência do passado não conformado e ainda presente!


Como diz Násio: “a saudade é uma mistura de amor, dor e gozo: sofro com a ausência do amado e gozo ao oferecer-lhe a minha dor”.


Freud declara que “Não se consegue vencer o luto, talvez porque seja verdadeiramente um amor inconsciente”.“


"Mesmo dolorosa, a lembrança do nosso amado perdido pode suscitar o gozo de oferecer nossa dor como homenagem ao desaparecido. Amor, dor e gozo se confundem aqui. Continuar amando o morto certamente faz sofrer, mas esse sofrimento também acalma, pois ele faz reviver o/a amado(a) em nós”.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O DRAMA DA CONSCIÊNCIA E A DITADURA DA APARÊNCIA


A matéria a que nos propomos escrever tenta fazer uma síntese teológica quanto psicanalítica, visando unicamente falar dos enganos que a consciência nos promove, ao deixar-nos em crise. Como seria isso? Bom, alguns conceitos que temos recebido durante a nossa existência vai se formatando em valores, e estes condicionados, faz com que todas as ações que contrariam as informações apreendidas venham contribuir em mal-estar ou o que sempre denominamos como crise de consciência. Com isso, deveremos atentar que muitos desses sofrimentos são gerados por razões culturais, familiares e religiosas de onde advêm as formulações conceituais de certo e errado. A partir daí, toda e qualquer “desvio comportamental” sofrerá acusação do supereu (isso para todos que temos neuroses) condenando de transgressão os valores adquiridos como comportamentos a serem seguidos pelo que foi convencionado como normas do "bem- viver".
Por trás dessas elaborações conceituais estão presentes as tradições, princípios normativos, que fazem de nós quase robotizados, impedindo-nos de perceber a vida com mais abrangência e clareza. Somos passivos de princípios “judaicos-cristãos” que foram ao longo dos tempos interpretados dentro das formulações da Lei, anulando quase que por completo a verdadeira hermenêutica da Graça de Deus, misturando as normas judaizantes com o que a Graça se propõe. Vítimas de esquizofrenias conceituais que se misturam e se dividem faz com que todos sejamos sofredores por termos sidos formados com uma consciência conturbada e alucinada, pelo medo da transgressão de conceitos , valores e imperativos castradores fundamentados num cabresto, onde a direção a ser seguida é dirigida pelo poder, sendo este qual for.
Quanto mais libertos dos dramas da consciência mais libertos seremos dos erros que a ela foram impostos. Na tentativa de caminharmos de maneira salutar abordaremos questões de ordem teológicas e psicanalítica sem nos preocuparmos com o aprofundamento do tema supracitado..

CONSIDERAÇÕES TEOLÓGICAS

No livro de Jó encontramos um questionamento muito interessante que servirá para monologizarmos: “Quem da imundícia poderá tirar coisa pura? Ninguém” (Jó 14.4). Importantíssimo a partir desta pergunta internalizarmos e procurarmos o conceito de puro e imundo e qual das duas palavras é o nosso adjetivo. Em Isaías 64.6 lemos: “ Mas todos somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo de imundícia...” Voltemos a pergunta de Jó: “Quem da imundícia [de nós] poderá tirar coisa pura? Ninguém”. É bem verdade, não podemos negar que há realmente impulsos de generosidade, atos de lealdade e honestidade, todavia, essas ações se destacam sobre um fundo de iniquidade e imoralidade escondidas. Devemos, pelo que parece, perceber que há uma antítese, uma manifestação contraditória flagrante entre as lindas exortações morais que enchem o mundo há séculos e a realidade humana cujo interior, a subjetividade não engana. É a partir daí que surgem os nossos dramas de consciência. Tentamos ser o que não somos! Falhamos vindo daí a frustração e a crise de consciência por não atentarmos para o estatuto apreendido desde a nossa infância, que nos escravizou ditando valores inalcançáveis pela alma humana. Por termos medo do social, sentimos interditados de sermos nós mesmos, de nos mostrarmos tal como somos expandindo segundo a nossa natureza, livremente. Parece que devemos estar atentos, pois a consciência é insaciável, volúvel e arbitrária. Não representa a presença de Deus em nós mas a sua ausência, por estarmos entregues a nós mesmos e de temermos o que podem dizer do que pensamos, gostamos e gostaríamos de expressar objetivamente sem preocupação com as sanções sociais que por trás destas, estão um mundo de iniquidade e que ao mesmo tempo são julgadoras de condutas. Estranhíssimo paradoxo! Contudo é assim que funciona A DITADURA DA APARÊNCIA!
Ainda na abordagem teológica, devemos considerar que os dois primeiros mandamentos da Lei, amarás o Senhor teu Deus, de toda a tua força e de todo teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo, são imperativos sem nenhuma força de produzir sentimento. Logo, o amor não se realiza através de uma ordem, de mandado. Ter drama de consciência por não conseguir amar é viver debaixo do jugo da Lei. Dos dez mandamentos, os quatro primeiros eram alusivos a Deus e os seis últimos ao próximo. Os mandamentos com respeito a Deus são verticais (homem e Deus). Os mandamentos com respeito ao próximo são horizontais (homem e homem). Vejam o formato da cruz de Jesus no decálogo: uma linha vertical e uma linha horizontal. Sem uma dessas duas linhas não há cruz. A cruz é um símbolo do relacionamento com Deus e com o próximo. Uma linha para cima e outra para os lados. A cruz resolve e cumpre a questão da Lei como Ele disse que faria. E, quando cremos nele, ele atribui o mérito do cumprimento da Lei a nós. Somos justificados e perdoados. Ele sempre soube da nossa incapacidade de a cumprirmos. Devemos pois evitar todo e qualquer sofrimento de consciência por sermos incapazes de cumprir as normas estabelecidas pela Lei. Fujam dos que não sabem o que falam, esses são pertubadores da paz e responsáveis pela inquietude na consciência de muitos que os ouve.

SIMPLES CONSIDERAÇÃO PSICANALÍTICA

O psiquiatra suíço Paul Tournier fala de uma paciente que ficou transtornada depois de um processo de cura psicanalítica. A educação cristã dela foi localizando o pecado em uma lista bem específica de ações, das quais bastava abster-se para ter a consciência tranquila. Por sua análise, um abismo sem fundo se abriu à sua frente, uma dimensão totalmente nova do mal, que penetra em tudo, mesmo em nossas melhores intenções. Disse ele que ela ficou muito confusa com isto. Dizia ela: “ a Graça é como uma caixa muito pequena para conter o drama de consciência, que agora eu vejo como infinita”. Tournier declara que precisou ajudá-la a alargar a sua visão da infinita graça, na proporção da dimensão do rigor da consciência que a psicanálise havia lhe revelado.
O DRAMA DA CONSCIÊNCIA gerada também pelas pregações moralistas de nossas igrejas são localizáveis e tratadas. Contudo, os dramas inconscientes por alguma coisa que não sabemos o por quê é algo muito doido que se torna necessário ao mesmo tempo, compreender que a Graça de Deus precede todas as escuridões onde a análise psicanalítica pode nos conduzir.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Deus, o diabo e o casamento


  



O texto que ora escrevemos tem como finalidade falar sobre o realismo e o romantismo e a relação conflitante existente entre eles. Não se pretende aqui fazer qualquer apologia ao tema, todavia, visa com certeza, conduzir o leitor a uma reflexão de ordem tão somente pessoal na direção de Deus.

O diabo dá o seu pronunciamento, dizendo que no começo de tudo ele estava ao lado de Deus, numa boa, sem reclamações, feliz, tocando e cantando várias canções e entre elas, cantava: “Tô nem aí, to nem aí...”, até o momento que o Senhor da esfera e de tudo que há, se pronunciou dizendo em criar um casal, para povoar a terra. Cada representante dessa união sentiria um sentimento muito forte pelo outro, o amor.

Aí, o diabo se manifestou dizendo: Senhor, Tu és tão poderoso e vai criar uma coisa fraca. O amor é muito frágil e se desgasta com o tempo. O amor não é semelhante ao superbond, ele descola se dissolve e não se prolonga. O amor não acaba no Senhor, mas no homem ele deixa de existir. Tudo é uma questão de tempo.

Disse Deus: primeiro não é bom que nenhum ser humano viva na solidão, não quero o homem sozinho. O amor entre ambos deve ser regado, todos os dias regarão, assim como, quero que eles reguem a terra.  O amor é responsabilidade deles.

O diabo se manifesta outra vez: Senhor, essa coisa de amor é a mesma coisa que ter um pássaro pousado na ponta do dedo. Quem tem esse pássaro no dedo sabe que a qualquer momento ele pode voar. O amor liberta e não aprisiona. Como construir uma união, mediante a possibilidade de voo? Haverá muitas separações, por que viver a ilusão do amor?

Disse o Senhor: Preste atenção! Eu sou o Senhor, quero tão somente o bem deles, a minha felicidade é vê-los feliz e outra coisa, aquilo que o Eu, o Senhor juntar, não separe o homem. Eu, o Senhor menciono a verbo separar  de maneira  subjuntiva, pois sei que há possibilidade deles se separarem. O modo subjuntivo indica dúvida, ele é hipotético, não garante nada. Eu não digo: aquilo que Eu o Senhor juntar o homem não separa, de maneira indicativa. Este modo indica certeza, mas não haverá nenhuma garantia deles viverem assim, por isso a vida deles será subjuntiva. Logo, não me será estranho isso acontecer. Pois após eles pecarem, até mesmo Eu, o Senhor serei acusado pelo homem que chamarei de Adão. Ele me dirá: “a mulher que Tu me deste me fez comer do fruto...”. Observe que entre eles haverá litígios, contendas, dissensões. O meu desejo, a minha vontade que o amor entre eles seja até que a morte os separe e não como dizem que seja infinito enquanto dure.

Disse o diabo: Penso diferente. Simone de Beauvoir filósofa francesa, declarou que a única instituição que mata o amor é o casamento, logo, para que o casamento não morra há uma saída, ainda que vivam de aparência e conveniências, presos as multiformes convenções sociais:  Acredito que se eles viverem se odiando eles terão mais dificuldade de separarem-se. O ódio os unirá. O poeta Guimarães Rosa certa ocasião declarou que quem odeia o outro, o leva para cama. A diferença que há entre o amor e o ódio é que o amor, por causa da liberdade, abre a mão e deixa o outro ir. No amor existe a permanente possibilidade de separação. O ódio segura o casal. Os casamentos mais sólidos são baseados no ódio. E sabe por que o ódio é mais forte que o amor dando estabilidade da vida matrimonial? O ódio não suporta a fantasia do outro voando, contente e feliz. O ódio constrói gaiolas e dentro delas, cada um se nutre da infelicidade que pode causar. Eles ficam juntos para se torturarem. É a suprema felicidade de fazer o outro infeliz.

O diabo fala que a sua separação de Deus, se deu por haver entre eles muitas discordâncias. Ganhou um chute no traseiro e saiu do ambiente glamouroso para ficar mostrando aos casais na terra que a vida é feita de realidade e não de ilusões.
Como músico celestial que era o diabo sugere aos casais, que vão se casar, o toque da marcha nupcial, com a letra que ao autor preparou para lutar contra o mal: “Os guerreiros se preparam para a grande luta...”.

Disse Deus ao diabo: Se depender de você a instituição casamento acaba. Contudo, eu lhe afirmo esta instituição, jamais acabará porque Eu, o Senhor a criei e a família é o meu projeto. Quanto ao amor do casal, a felicidade, ambos terão que fazer a sua parte para viver juntos. Na vida deles eu não me meto, só lhes mostro a minha vontade. Haverá dureza no coração de muitos casais, ou na vida do cônjuge, entretanto, quanto a este aspecto não farei nenhuma imposição. Eles que se resolvam.
  






terça-feira, 23 de outubro de 2012

CONSIDERAÇÕES LITERÁRIAS SOBRE O ADULTÉRIO





Adultério é uma palavra, que segundo muitos, atualmente soa obsoleta, lembra tempos remotos cintos de castidade e pessoas com poder de propriedade sobre outras. Lembra apedrejamento, infâmia, honra lavada com sangue, atitudes que já não condizem com a época presente em que incesto, nem homossexualismo ou prostituição são tipificados como crimes e em que os avanços da psiquiatria e ciências psicológicas, bem com o respaldo da sociologia dão outras conotações as condutas desviantes. As pessoas hoje clamam por liberdade, naturalmente não como sinônimo de liberdade excessiva ou falta de responsabilidade, mas significando maiores possibilidades de realização pessoal em todos os níveis. Hoje, com o divórcio, já é possível corrigir legalmente erros de ajustes entre cônjuges, e a figura ameaçadora do estigma e infâmia do adultério, principalmente em relação à mulher, pode ser restrita ao âmbito da lei civil.


A citação do livro de Domingos Sávio Brandão Lima, Adultério, a mais infamante causa do divórcio feita por Ester Kosovski, relata sobre o Código de Manu e o seu rigor interpretativo a respeito da infidelidade conjugal:

O Código de Manu, formulado dez séculos após o Código de Hammurabi, considerado o mais rigoroso, até hoje, em relação à mulher, por reputá-la sempre inferior, contém o maior e mais hilariante capítulo minudenciando, em 69 artigos, sobre o adultério. Chegou ao cúmulo de considerar: art 349 – ter pequenos cuidados com uma mulher mandar-lhes florese perfumes, gracejar com ela, tocar nos seus enfeites ou em suas vestes, sentar-se com ela no mesmo leito, são provas de um amor adúltero. Art 350 – Tocar o seio de uma mulher casada ou em outras partes do seu corpo, de uma maneira indecente; deixar-se tocar por ela, são ações resultantes do adultério, com mútuo consentimento.

O adultério teve sua raiz, originada na economia. A mulher era considerada propriedade do homem, assim como os animais. A mulher era coisificada. Ora, quando ela transgredia o voto de fidelidade, ela estava violando o direito de propriedade do seu marido. Quando descoberta ela pagava com a sua própria vida. No texto bíblico do Antigo Testamento, lemos que a mulher era apedrejada até a morte. Um maneira bem primitiva de resolver o assunto, por se tratar que a mulher era vista como objeto, assim com o boi, a vaca, etc.

A escritora mencionada, ilustra com a música popular brasileira Casa de Caboclo de Hekel Tavares, o exemplo do derramamento de sangue, quando é dado o flagrante de adultério:

Vancê ta vendo esta casinha, simplesinha,
Toda branca de sapê...
Diz que ela vive no abandono, não tem dono
E se tem ninguém vê.
Uma roseira cobre a banda da varanda
E tem um pé de cambucá.
Quando o dia se alevanta, virgem santa,
Fica assim de sabiá.
Deixa falá toda essa gente, maldizente,
Bem que tem um moradô.
Sabe quem mora dentro dela?Zé Gazela,
O maió dos cantadô.
Quando Gazela viu Siá-Rita, tão bonita,
Pôs a mão no coração.
Ela pegou não dixe nada, deu risada,
Pondo os óinhos no chão.

E se casaram, mas um dia, que agonia,
Quando em casa ele vortô.
Zé Gazela viu Siá-Rita, tão aflita,
Tava la mane-Sinhô...

Tem duas cruzes entrelaçada, bem na estrada,
E inscrevero pur detrás,
Numa casa de caboco, um é poço,
Dois é bom, três é demais.

O jurista Heleno Cláudio Fragoso cita Francesco Carrara, que diz:

Este é o delito mais fácil de suspeitar-se e mais difícil de provar-se.

O que diz o texto bíblico, através das palavras de Jesus, sobre o adultério?

Ouviste que foi dito: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo: todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso já cometeu adultério com ela em seu coração.



Jesus foi bastante incisivo ao afirmar e posicionar o adultério antes da ocorrência do fato. No entanto, é ele que vai trazer sobre o rigor da lei, a desmacaração da mesma, ao declarar que só deveria atirar a primeira pedra quem nunca tivesse sido adúltero. É como se perguntasse, quem nunca adulterou? Sabendo que para adulterar não se faz necessário praticar.Pergunta esta, que continua sendo feita até os dias atuais.

Ester apresenta uma pesquisa literária sobre o adultério, nos romances, escritos por: Gustave Flaubert que escreveu Madame Bovary, Leon tolstoy, cuja obra foi Anna Karenina, Eça de Quiroz, O Primo Basílio, Machado de Assis, Dom Casmurro e o mais antigo de todos que foi o romance do profeta Oséias, escrita pelo próprio. Neste último há algo de especial, porque apesar de um romance, foi um fato de conteúdo profético. Nessas cinco brilhantes obras literárias, encontramos a maneira diferente dos autores tratarem o mesmo assunto. Vejamos o comentário em Adultério, sobre o romance Madame Bovary e Dom Casmurro:

Para com Mme. Bovary, Flaubert tinha aquela atitude que foi mais tarde cunhada pelos psicólogos como “empatia”... E esse fato teve conseqüência; o autor foi processado pela justiça por ultraje moral. É o que pela primeira vez, quiçá, um adultério feminino era não apenas compreendido e justificado, como até mesmo visto com extrema simpatia.
É certo que, no final do romance, Mme. Bovary se mata. Mas não por remorso, absolutamente. Matou-se por endividamento e pela desilusão com os amantes a quem recorreu, em vão, para livrá-la de um processo. “Oh! A morte é coisa bem insignificante! – pensava ela. Vou dormir e tudo terá acabado” (...)


Agora, cabe-nos falar de uma obra de gênio, de um gênio patrício: machado de Assis. Seu “Dom Casmurro” representa um momento culminante da literatura de todos os tempos e de todas as línguas. Aqui, o adultério (jamais completamente explicado) é focalizado pelo ponto de vista de um marido que se suspeita traído, que surpreendeu a mulher a chorar de modo desconsolado diante do cadáver d’aquele que o protagonista desconfia ter sido amante dela, que começa a encontrar na fisionomia do filho os traços do amigo afogado. E Dom Casmurro separa-se de Capitu, da mulher que conheceu desde menina, de quem acompanhou as manobras, as manhas, os disfarces com os quais acabou se impondo à família de Betinho e com ele se casando.
As astúcias de Capitu são as astúcias da mulher que, desde os primeiros anos, na sociedade em que vivia, precisava disfarçar, manobrar, mentir, fingir, para conseguir o que desejava, para se impor como ser humano numa sociedade patriarcal (...)
Somente a sutileza de Machado de Assis soube criar uma tal atmosfera de malícia, suspeita e incerteza. Na verdade ele ra um gênio da sutileza, um artista supremo da ambigüidade. De tosos os romances sobre o “crime” do adultério nenhum como “Dom Casmurro” conseguiu deixar no leitor tal dúvida sobre os fundamentos da suspeita do marido enganado. A figura de Capitu não tem ao que conhecemos nenhum paralelo em qualquer outra literatura.


O segundo capítulo do livro de Oséias encontra-se uma das mais belas declarações da literatura profética, de alguém muito apaixonado:

Cercarei o seu caminho com espinhos, fecharei com uma barreira, para que não encontre suas sendas.. Correrá inutilmente atrás de seus amantes, procurará encontra-los, mas não os encontrará. Então se dirá: retornareis ao meu marido, pois eu era outrora mais feliz do que agora... Por isso, eis que vou seduzi-la, conduzi-la ao deserto e falar-lhe ao coração [palavras de amor].

Nos três livros ligeiramente comentados, sobre o adultério, somente em Machado de Assis e Oséias a protagonista não se mata. No romance do escritor Machado de Assis, Bentinho, o marido, não consegue perdoar, mesmo amando Capitu, mesmo sem certeza de que foi realmente enganado.
Já no livro de Oséias, o marido perdoa a esposa que retorna e a conduz a um lugar ermo e ali reconciliam o amor.

No livro Elogio da Loucura de Erasmo de Rotterdam, lemos:


Ah! Como seriam poucos os matrimônios, se o noivo prudentemente investigasse a vida e os segredos de sua futura cara-metade, que lhe parece o retrato da discrição, da pudicícia e da simplicidade! Ainda menos numerosos seriam os matrimônios duráveis, se os maridos, por interesse, por complacência ou por burrice, não ignorassem a vida secreta de suas esposas. Costumam-se achar isso uma loucura, e com razão; mas é justamente essa loucura que torna o esposo querido da mulher, e a mulher , do esposo, mantendo a paz doméstica e a unidade da família. Corneia-se um marido? Toda a gente ri e o chama de corno, enquanto o bom homem, todo atencioso, fica a consolar a cara-metade, e enxugar com seus ternos beijos as lágrimas fingidas da mulher adúltera. Pois não é melhor ser enganado dessa forma do que roer-se de bílis, fazer barulho, pôr tudo de pernas para o ar, ficar furiosos, abandonando-se a um ciúme funesto e inútil? Afinal de contas, nenhuma sociedade, nenhuma união grata e durável poderia existir na vida, sem a mínima intervenção: o povo não suportaria por muito tempo o príncipe, nem o patrão, o servo, nem a patroa, a criada, nem o professor, o aluno, nem o marido a mulher, nem o hospedeiro o hóspede, nem o senhorio o inquilino, etc., se não se enganassem reciprocamente, não se adulassem, não fossem prudentemente cúmplices, temperando tudo com um grãozinhio de loucura. Não duvido de que tudo o que até agora vos disse vos tenha parecido da máxima importância.


A Psicanalista Regina Navarro Lins faz a seguinte declaração sobre o adultério:

Homens e mulheres flertam se apaixonam e namoram acreditando ter encontrado o ‘verdadeiro amor’, para com ele ficar a vida inteira. No entanto, poucos se contentam com um único parceiro sexual, mesmo enfrentando altos riscos. O adultério sempre foi punido com crueldade pelo mundo afora açoitamento público, decepção do nariz e das orelhas, morte por apedrejamento, fogo, afogamento, etc. Não é incrível que os seres humanos, ainda assim, se envolvam em aventuras extraconjugais? Mas a infidelidade acontece a toda hora, em todos os lugares, com as pessoas comuns e com as famosas. O príncipe Charles e Bill Clinton foram dos mais comentados no final do século passado, mas outros também ocuparam as páginas dos jornais. O ator Anthony Quinn, que faleceu aos 80 anos, foi alvo de um escândalo há cinco anos, quando sua ex-secretária teve um filho seu. Mas o mais infiel de todos parece ter sido mesmo o escritor francês George Simenon. Ele estimou ter feito sexo com mais de 2500 mulheres no decorrer dos seus três casamentos.

E a infidelidade da mulher? Desde a infância foi ensinado a ela que deveria ter relações sexuais apenas com o marido. Isso fez com que se sentisse culpada ao perceber seu desejo sexual por alguém que não fosse ele. A dependência econômica também foi uma motivação importante da tendência monogâmica presente na nossa cultura. O marido jamais admitiria uma infidelidade e dessa forma a mulher não teria como sobreviver. Um flagrante de adultério, por exemplo, faz com que a mulher perca todos os seus direitos.
Com a pílula anticoncepcional e a emancipação feminina as coisas começaram a mudar. O número de mulheres infiéis tem se igualado ao dos homens e o adultério começa cada vez mais cedo para ambos os sexos. Pesquisa realizada na Inglaterra, dirigida às mulheres que trabalham fora, comprova que há pouca diferença entre os sexos no que diz respeito às relações extraconjugais. Dois terços das casadas ou com companheiro estável responderam ter cometido adultério. Na ocasião da entrevista, quase a metade das mulheres confessaram estar envolvidas num caso, e 72% garantiram que era melhor fazer sexo com o amante.
Entretanto, o adultério não é nada simples. O conflito entre o desejo e o medo de transgredir é doloroso. A fidelidade não é natural e sim uma exigência externa; numa relação amorosa estável as cobranças de exclusividade são constantes e aceitas desde o início. Com toda a vigilância que os casais se impõem, a fidelidade conjugal geralmente exige grande esforço quando a pessoa se sente viva sexualmente e não abdicou dessa forma de prazer.
Assim, as restrições que muitos têm o hábito de estabelecer por causa do outro ameaçam bem mais uma relação do que a ‘infidelidade’. Mesmo porque, reprimir os verdadeiros desejos não significa eliminá-los. Quando a fidelidade não é espontânea nem a renúncia gratuita, o preço se torna muito alto e o parceiro que teve excessiva consideração tende a se sentir credor de uma gratidão especial, a se considerar vítima, a se tornar intolerante, inviabilizando a própria relação.


Concordamos com a psicanalista Regina Navarro Lins, quando esta afirma que reprimir os verdadeiros desejos não significa eliminá-los. E aí? Deixa fluir? Onde ficam os valores? O ideal de vida seria a sua anormatização? E os valores éticos e morais, onde ficam?
Nem a moral cristã, nem a de Cristo são contrárias aos axiomas do princípio, fundamentados num Deus que nunca se opôs ao prazer (Ele é o autor), mas o oposto não geraria anarquisação desse prazer? No entanto, tentando evitar qualquer manifestação hipócrita, não negamos a possibilidade do fato. Todos estamos sujeitos a buscar uma experiência nova, por haver a possibilidade de erros no percurso. Por que razão? Nem sempre o objeto do nosso desejo é o que realmente desejamos constantemente. Às vezes nos encontramos desejosos e desejando, sem saber o por quê.
Temos momentos de insatisfação com a vida e com quem nos relacionamos. Desejamos o que, se não queremos desejar? Fazemos o que não queremos fazer? Será isso verdade?
O poeta Fernando Pessoa percebeu em sua própria vida, que é um eterno insatisfeito ainda que completo, ao afirmar:

Por mais rosas e lírios que me dês/ eu nunca acharei bastante/ Faltar-me-á qualquer coisa, / sobrar-me-á sempre o que desejar...

O autor do livro O que é religião, diz-nos que,

O homem é um ser de desejo. Desejo é sintoma de privação, de ausência.

O adultério nem sempre é ausência de amor para com o outro cônjuge. Pode ser ausência de outros fatores, que teve força voraz, impelindo o cônjuge tornar-se fiel ao seu próprio sentimento, sendo que essa fidelidade é adúlterio para com cônjuge ofendido.
No livro de Juan Guillermo Droguett Desejo de Deus. Diálogo entre psicanálise e fé, lemos no prefácio elaborado por Rubem Alves:

...amamos uma pessoa não por aquilo que ela é, mas pelo manto de fantasia com que a cobrimos.

Se tirarmos o manto, encontraremos a realidade do amor idealizado? Nós amamos o nosso ideal, que gostaríamos de ver na pessoa com a qual nos relacionamos? No entanto, o tempo evidencia a frustração que há entre o ideal e o real? Aí a relação idealizada para ser estável, torna-se cansativa, exigindo a não rotina para evitar o enfado do convívio? Há uma urgência de encontrarmos uma nova forma de entendermos melhor o amor? Este precisa contextualizar-se. Ler I Corintios 13 é uma coisa, entendê-lo e aplicá-lo dentro do modelo capitalista que vivemos é outra coisa. “Eu te amo porque você tem grana?”Lemos no texto, ora mencionado, que o amor substantivo que poeticamente foi escrito pelo apostolo Paulo, não acaba( v.8). No entanto, o amor relacional, este sim acaba. Ler um texto que fale sobre o amor, sem levar em consideração os motivos da sua poesia, focalizando as questões sociais, políticas, econômicas e de ideologia religiosa da época, torna-se vazio e com aplicabilidade ilusória. Não podemos nos negar que o amor é processual, isto é, ele deve ser interpretado com o tempo. O amor no período patriarcal não é o mesmo do período do romantismo e não é o mesmo nos dias atuais. Hoje o amor é uma ideologia? Sabemos que o objeto que dá prazer é muitas das vezes o que frusta. No entanto, acreditamos que o amor deve ser regado, assim como um a planta. Mas devemos considerar que água na toneira pode acabar e o balde ficar furado. A relação amoroza duradoura se evidencia da maneira com ela é tratada. Contudo, o único amor que a bíblia nos apresenta e cremos que este não espera nada do outro, por isso, não é ideologizado é o amor de Deus, este não tem fronteiras nem impedimentos, este não faz acepções, porém muito difícil de ser entendido, quando analisamos as suas manifestações nos textos bíblicos. O amor de Deus transcende a nossa capacidade de entender. A grande prova desse amor foi manifesto em Seu filho Jesus, submetendo-o ao mais terrível dos sofrimentos e humilhação, a favor de muitos (Atos 4.27,28), isso tudo por amor. Aqui não há ideologia, mas justiça que não se desvincula do amor, impossível de ser alcançado pelo homem.

O amor não faz mais do que a justiça exige, todavia, o amor é o princípio máximo de justiça. O amor reúne, a justiça preserva o que está para ser unido. Esta é a forma na qual e através da qual o amor realiza sua obra. A justiça, em seu significado máximo, é justiça criativa é a forma de reunião do amor (Amor, Poder e Justiça – Paul Tillich).

Parece ser impossível amar a Deus como diz o mandamento, assim como, amar o nosso próximo como a nós mesmos. Estamos muito longe dessas realizações. Será que temos realmente o desejo de amar o outro ou amar o amor? E o que é o amor? Como ele se apresenta na historia da humanidade. No período patriarcal o amor se apresenta como um imperativo, ordem, mandamento. Já no período romântico ele é algo mais narcísico. Ama-se o amor que se quer amar. Eu me amo no outro

O movimento maniqueísta, cujo nome se originou do profeta persa Manes, foi uma das mais poderosas dentre as primeiras religiões. Na Europa foi chamado de cartarismo, pois seus seguidores se autodominam ‘cátaros puros` (...) Os cátaros acreditavam que o amor verdadeiro era adoracao de uma mulher redentora, uma mediadora entre Deus e o homem (...) O amor humano entre marido e mulher, assim como qualquer sexualidade aí contida eram vistos como bestiais e não espirituais (...) De qualquer forma, o ideal do amor cortês espalhou-se rapidamente pelas cortes feudais de toda a Europa medieval e transformou o comportamento de homens e mulheres em relação ao amor, afinidade, sentimentos elevados, experiência espiritual e ânsia de beleza. Essa revolução amadureceu, dando origem ao que chamamos de romantismos.
O romantismo, por sua vez, também transformou o comportamento dos homens frente às mulheres, mas deixou uma estranha divisão nos sentimentos. Por um lado, os ocidentais passaram a ver a mulher como a encarnação de tudo o que era puro, sagrado e completo. Mas, por outro, ainda submetidos `mentalidade patriarcal, os homens continuaram vendo a mulher como inferior, veiculo do sentimentalismo, da irracionalidade e da apatia (...)
Em época relativamente recente, após a Revolução Francesa e a industrialização, surgiu a idéia de que o casamento deve ser o resultado do amor romântico. Hoje, quase todas as pessoas misturam romance com sexo e casamento como se fosse natural, sem ter idéia de que é uma inovação revolucionaria.

Ainda Navarros, agora ao comentar, Elizabeth Badinter , declara que,

o amor romantico não é apenas uma forma de amor, mas todo um conjunto psicológico – uma combinação de ideais, crenças, atitudes e expectativas. Essas idéias, crenças, atitudes e expectativas. Essas idéias coexistem no inconsciente das pessoas e dominam seus comportamentos e reações. Inconscientemente, predetermina-se como se deve sentir e como reagir (...). Estamos presos à crença de que o amor romântico é o amor verdadeiro. Isso gera muita infelicidade e frustração na vida das pessoas, impedindo-as de experimentar uma relação amorosa autêntica... quando percebemos que o outro é um ser humano e não a personificação de nossas fantasias, nos ressentimos e reagimos como se estivesse ocorrido uma desgraça. Geralmente culpamos o outro. O que ninguém pensa é que somos nós que precisamos modificar nossas próprias atitudes inconscientes, as expectativas que alimentamos e as exigências que impomos aos nossos relacionamentos (...) Como na historia de Tristão e Isolda (...) o amor morre ou, mais comumente, os dois amantes morrem (nos braços um do outro, de preferência) e são cristalizados para sempre naquele estado apaixonado. Por quë? Porque é a única maneira de garantir que ele continue para sempre. Por que você acha que os contos de fada sempre terminam com “e viveram felizes para sempre”? Eles terminam desse modo porque precisam. E precisam porque a historia do amor verdadeiro e a do amor romântico são diferentes.


Afirma Regina, que a monogamia surgiu em virtude da dependência econômica da mulher em relação ao seu marido. Um comportamento extraconjugal da mulher, o envolveria em riscos, se descoberta, esta não poderia se sustentar.
Declaramos então, que sendo assim, foi dado lugar a sublimação, desvio de foco para outro momento. Contudo, a sublimação não permanecerá por muito tempo, porque ela desvia uma realidade subjetiva, que subjetivamente ou objetivamente será respondida.
Um pregador perguntou a igreja onde estava predicando, se existia alguém ali que nunca tivesse cometido adultério. Adultério tanto subjetivo como objetivo. Ninguém respondeu nada. Esse palestrante ficou silente por alguns minutos, olhando a platéia e disse. `Eu também não posso falar nada.`


A fidelidade é um imperativo externo, assim como os mandamentos.


A fidelidade se situa no sentimento, logo, qualquer mandamento, que obriga a alguém ser fiel, surge de fora, como expressa a palavra MANDAMENTO. Sendo assim, a fidelidade forçada pelos imperativos morais e religiosos, antagonizam com a realidade subjetiva. O Mandamento não é capaz de produzir sentimento. Essencial e existencialmente se conflituam a todo instante. Nenhum homem ou mulher são fiéis um a outro por imposições externas. A fidelidade só existe, ao sermos fiéis aos nossos sentimentos. Fidelidade não é um imperativo externo, mas um respeito ao próprio sentimento. A fidelidade não tem haver com tu e sim com eu. Ama-se o que se quer para si.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

EM QUE EU CREIO

                          
Visamos na matéria que agora iniciamos apresentar e  revelar o que tem ficado oculto a aqueles que professam a fé em Jesus. Contudo, é para esse grupo credo e bem intencionado, vítimas das inverdades bíblicas sobre a graça de Deus, submetidos a mensagens de cunho moral-ético-religioso, oprimidos e massacrados por um jugo que seus próprios administradores não suportam.
Na condição de pastor e profundamente identificado com a teologia luterana, sendo esta categoricamente bíblica, logo verdadeira, exponho neste artigo, posicionamentos na pretensão de conduzir a muitos que amam  a verdade de Deus fazerem ardorosas reflexões que libertam verdadeiramente.

NADA PURO NO ESGOTO

A verdade do evangelho é o nosso objetivo, isto é,  informando sobre a graça de Deus, tanto deturpada no seu sentido de abrangência. As mensagens moralizante tem ao longo dos tempos excluído o Senhor Jesus do contexto da Graça salvadora, justificadora e santificadora. É contra aos que falam em nome de Jesus, mas que agem buscando louvores para si, que a Fé Protestante Luterana, (FPL) se manifesta com intuito de mostrar que "da imundícia não se pode tirar nada puro" (Jó 16.4). Da mesma maneira como a nossa justiça é apresentada pelo profeta Isaías, como trapo de imundícia. A graça e a lei têm sido mixadas criando grandes indefinições, por trabalharem com a culpa e trazendo grandes transtornos de comportamento, por exigirem ao homem o que é impossível à sua natureza. Tais líderes por serem articulados nas suas predicações visam usufruir inescrupulosamente a seu favor com ensinos e pregações comerciais. Ou seja, se não fizerem como eles dizem o Reino dos céus ficarão distante e inalcançável aos seus ouvintes. Como se a graça de Deus tivesse alguma coisa a ver com o verbo FAZER na subtração do CRER (João 6.28,29). A deontologia tomou o lugar de Jesus em muitos ambientes eclesiásticos. O ensino sobre a obediência tem tirado daquele que se fez obediência por muitos (Rm. 5.19),  tamanha indiferença com aquele que é a propiciação pelos pecados, Jesus.  

A VERDADE NÃO FAZ SUCESSO

Há um grupo de bem intencionados, mas que são adversários da verdade, pois esta foi contaminada por um modelo que aqui se estabeleceu. Mesmo descobrindo a verdade e esta revelando a mentira que eles têm ensinado a uma grande massa, não haveria interesse deles em mexer no que já está feito, com medo de perder os favorecimentos que a verdade com certeza, tiraria. A mentira faz sucesso, a verdade não! A verdade crucifica.

A VERDADE É INEGOCIÁVEL

Não visamos uma nova proposta de apresentarmos e revelarmos o que tem ficado oculto a aqueles que professam a fé em Jesus. Contudo, é para esse grupo credo e  vítimas das inverdades bíblicas sobre a graça de Deus, submetidos a mensagens de cunho moral-ético-religioso conduzido a sérios sofrimentos de ordem emocional que escrevo essa matéria sem nenhuma preocupação.  O cristão não deve negociar com a verdade. A verdade não engessa, não mumifica, não paralisa, não normatiza, a verdade não hipocritiza, a verdade não é travesti, ou seja, não se transforma em outra aparência, a verdade é uma pessoa, digna de reconhecimento e isenta das fraudes utilizadas em nome dessa verdade.

 A verdade do evangelho que é o nosso objetivo, isto é,  informando sobre a graça de Deus, tanto deturpada no seu sentido de abrangência. As mensagens moralizantes têm ao longo dos tempos excluído o Senhor Jesus do contexto da Graça salvadora, justificadora e santificadora. É contra aos que falam em nome de Jesus, mas que agem buscando louvores para si, que a FPL , cujo cunho teológico é categoricamente bíblico.
Maldosamente a graça e a lei têm sido mixadas, misturadas criando grandes indefinições, por trabalharem com a culpa e trazendo grandes transtornos de comportamento, problemas sérios de ordem emocional por exigirem ao homem o que é impossível à sua natureza. Tais líderes por serem articulados nas suas predicações visam usufruir inescrupulosamente a seu favor com ensinos e pregações comerciais, culpabilizando e amedrontando os fiéis a fazerem o jogo deles. Ou seja, se não fizerem como eles dizem o Reino dos céus ficará distante e inalcançável.

Quando os gregos receberam o evangelho, converteram em filosofia, quando na Europa foi recebido, transformaram em cultura e quando os americanos receberam transformou em negócio e num demônio chamado moral. A influência americana no Brasil foi determinante com sua missão, monopolizando o pensar bíblico, num marketing da fé e da culpa.

 A FPL predica unicamente a GRAÇA de Deus indo de encontro aos princípios normativos do fazer como justificação à salvação. Na FPL, as questões da homossexualidade e todo tipo de marginalização é vista num diálogo teológico-bíblico-científico. Na FPL nos preocupamos em revelar as razões das homofobias e o que está por trás dessas perseguições aos homossexuais e quem são esses homofóbicos religiosos.

A VISÃO DA FÉ REFORMADA LUTERANA

A FPL visa um evangelho voltado para dor e sofrimento, tanto no aspecto objetivo quanto aquele que atingem profundamente a subjetividade. As injustiças sociais fundamentadas na bíblia, cuja hermenêutica (interpretação) tem por longos anos trazidos informações de um fundamentalismo importado, que aqui no Brasil, se amalgamou como uma verdade que muitos indoutamente abraçaram. A FPL visa o descondicionamento das inverdades que foram aceitas como verdades sem que ninguém as questionassem por julgarem ser de profunda lisura.

DEUS É HUMANO

A Graça verdadeiramente libertadora vinda do Deus que foi crucificado que se humanizou para ser como nós, homem, e que não teve por usurpação de ser soberano, esvaziou  de si mesmo. Esse Deus andou com os marginalizados pela sociedade e ainda se encontra no meio deles trazendo uma mensagem de esperança e amor isso porque Deus só se revela no oposto. Tão humano como Deus só sendo divino.

Você pessoa de vida simples, vítima de uma sociedade injusta e sem coração, aos empresários, juízes, promotores, defensores públicos, médicos, pedagogos, professor e todos das mais variadas funções, que percebem a manipulação do marketing da fé escreva-me: dml-47@hotmail.com  e vamos fazer contatos para interagirmos as verdades abscônditas e libertadoras contidas nas Escrituras, num  propósito de ENTENDER o conhecimento que liberta, como disse o Senhor: "E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" (João 8.32).


 A FPL se posiciona contra a categoria ético-moralizante-religiosa. Essa tríade valoriza o homem em detrimento ao sacrifício de Jesus, dando a este a condicionalidade de perfeição.  Quando as escrituras afirmam: "Enganoso é o coração mas perverso que todas as coisas quem o conhecerá?" que "somos imundos e a nossa justiça como trapo de imundícia". Se o coração do homem é bom e nele a sua justiça não for algo reprovável, a Justiça de Deus na cruz a favor do homem foi categoricamente em vão. Ainda afirma as escrituras "Não há um justo se quer e nem quem faça o bem" "Não há quem busque a Deus". Por isso afirmamos que a moral é um "demônio" porque valoriza o homem numa rejeição ao sacrifico feito de UMA VEZ POR TODAS (Heb. 10.10,12,14,17,18 ). Não fazemos apologia contra a moral e a seu princípio ético, todavia, nenhum ser humano poderá se sentir aceito por Deus por ter bom comportamento, por não roubar, não adulterar (Lucas 18.9-14a) etc. A prática moral e o seu principio ético tem função horizontal, visa a interpessoalidade, a boa relação com o próximo,  razão porque não somos o que fazemos,  mas sim o que sentimos. Sentir é a causa o fazer seu efeito.

                                                A RESIDÊNCIA DO PECADO                                             

Todo pecado praticado é antecipado no coração.  “Do coração que procede as saídas da vida”.  Ainda que não cometamos os atos já mencionados, a nossa subjetividade, o nosso coração nos condena. Todo ser humano por mais correto que seja em sociedade tem um malandro dentro dele. Caso contrário os ateus que têm uma vida descente em todos os aspectos da vida deveriam ser chamados também de cristãos. O pecado não é opção é uma habitação, uma morada. A essência do homem (Romanos 7.18). O pecado é força supra-individual. Fugiu ao controle do ser humano e se constituiu em poder. Lutero declara que o pecado não é algo no ser humano, é algo do ser humano. Continua ele em dizer que o ser humano costuma defender seus próprios interesses, mesmo quando aparenta submissa piedade. Quer afirmar-se frente a Deus, construir sua própria justiça (Filipenses 3.9).

A FPL entende que o cristão já morreu para o pecado (Romanos 6.2), mas que o pecado ainda não morreu para o cristão ( I João 1.10).

                                                   LUTERANISMO E CALVINISMO

A FPL não quer dizer que ela seja calvinista, mas podemos afirmar que este calvinismo tem uma relação um pouco aproximada com a teologia luterana. Vejamos algumas diferenças entre calvinismo e luteranismo:

A santificação em Calvino é um processo  para os armnianos também. Isto é o cristão tem de estar sempre se santificando. Como se a santificação fosse uma auto separação.  Confundem santificação com ética e moral. Ora, para ser moral e ético ninguém precisa ser cristão e muito menos ir à igreja.

Os calvinistas são fundamentalistas, os armenianos seguem na mesma direção. 

Os luteranos veem a santificação como um ato. Em Cristo e na sua morte e ressurreição fomos de uma vez por todas santificados (Hebreus 10.14).

O eixo da teologia calvinista é a glória de Deus. O eixo da teologia luterana é a Graça.

O calvinismo olha constantemente para o céu (teologia das nuvens) e a teologia luterana  olha para a terra, para o homem e para a sua dor e sofrimentos. No calvinismo as portas estão abertas para quem tem, pois tudo quase se compra. O pródigo da parábola enquanto tinha dinheiro para gastar, não sofria problemas de identidade, mas, esgotados seus recursos, nada mais valia junto aos porcos. Que valem os pobres desta terra, aquela gente que não tem para garantir negócios e lucros? Parece que o valor da pessoa humana se define pela categoria de grupo a que pertence. 

Quanto à liberdade do cristão, em Calvino só é permitido o que a bíblia permite. Já em Lutero é permitido o que a bíblia não proíbe.

Entre Lutero e Calvino o que há em comum, que ambos creem na predestinação e na não existência do livre-arbítrio. Também creem na eleição. Uns foram eleitos para a salvação (Atos 8.1-3; Gálatas 1.15) e outros não (Romanos 9.11-14). Neste último Deus ama um feto e odeia o outro. Ama Jacó e odeia Esaú, que em muitas traduções está como "aborreceu". O verbo no texto grego do Novo Testamento é odiar: Sentimento oposto ao amor.

E o que é a bíblia para a teologia luterana? A bíblia é a testemunha de uma causa. Sendo esta causa maior do que a própria bíblia. E esta causa é Jesus, o Cristo.