sexta-feira, 20 de abril de 2018

Nietzsche
Deus está morto! 
A oração ao Incompreensível!

Nietzsche foi um filósofo da desconfiança. Desconfiança das afirmações que para ele tinha um tom de suspeição. Ele desconfiava das convicções, das afirmações categóricas sobre as coisas, das crenças, ou seja, suspeitava de tudo aquilo que se acredita. A natureza humana a qual ele se inclui, era um dos grandes motivos de desconfiança e suspeição. Diferentes dos filósofos dogmáticos que chegam às verdades definitivas, o pensamento de Nietzsche é profundamente experimental. Ele coloca os pensamentos sob suspeita e investigação, assim sendo, até o seu próprio pensamento.

A cada conclusão atingida, ele precisava desconfiar dela para poder prosseguir. Aqui, talvez pareça que possamos exemplificar com o pensamento de Edgar Morin que “todo saber é transitório.” Logo, as afirmações de agora, não serão as afirmações do depois. Aquilo que se afirmava ser visto como antagônico ao outro, em Nietzsche não há dualismo. Os conceitos de certo e errado, sim e não, verdadeiro e falso são maneiras que se tem de separar. Na verdade, esses termos são inseparáveis, caminham juntos, um também é o outro.

O que era a vida para Nietzsche? Partindo do filósofo pré-socrático Heráclito que afirmou que “não se pode banhar na água do mesmo rio suas vezes” tudo é movimento, assim era a vida para Nietzsche. A vida é impermanência. A vida não é estática. A vida não é uma coisa que se tem, que se possui. A vida é um processo que nos leva a mudar de estado, permanentemente, a vida é luta. E a luta não é externa, entre as pessoas que estão ao redor, mas uma luta interna. Ao olharmos para as funções da fisiologia humana, as lutas que os glóbulos brancos travam no interior do organismo para defender o corpo de invasores estranhos. É uma também a luta que se tem contra os nossos impulsos. Com qual objetivo? Nenhum. Isso em razão das várias resultantes que se obtém, nunca sendo as mesmas. Isso é viver, não tendo como ter controle absoluto sobre nada na vida.

A vida não é dogmática. A vida é oscilação. E a razão onde fica? Ela não fica em lugar nenhum. A razão está inserida nos impulsos, nas paixões. Isso fica fácil de ser entendido, em razão do ser humano ser uma multiplicidade, a exemplo das funções que cada órgão tem no corpo. Nesta forma de perceber, entendemos que as coisas agradáveis e desagradáveis estão muito juntas, muito imbricadas. O ser humano é um ser plural, jamais singular. Um dos poemas de Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa, lemos: “Vivem em mim inúmeros.” Esta a ideia está presente no filósofo Nietzsche. Há um episódio bíblico que Jesus pergunta a um homem que havia saído do cemitério qual era o seu nome o que este respondeu, dizendo: “Meu nome é legião porque somos muitos.” Há no ser humano um albergue, onde habita várias vozes. A vida é holística não há separações. Os múltiplos se intercambiam, se comunicam entre si continuamente. Há uma tessitura muito arraigada, coesa, uma urdidura permanente. Mas quando alguma coisa se altera nesse holismo, altera todo o resto, tudo se modifica, gerando uma certa desordem. E isso se aplica a tudo na vida e como ela é. Deus está morto.

Nietzsche vem de uma família luterana tanto da parte do pai, como por parte da mãe. O pai morre bastante jovem aos 36 e Nietzsche se vê em certo momento destinado a ser pastor como o pai. A viúva, junto com Nietzsche e a sua filha Elizabeth se mudam da paróquia onde moravam para um outra cidade, onde estão estabelecidas a família da mãe de Nietzsche. Ele então foi estudar numa escola bastante renomada e aprende toda uma cultura humanista, aprende grego, latim, literatura e tudo aquilo que envolve o conhecimento. Aprofundou-se em filologia e estudou muitos textos gregos antigos. Abandonando muito depois a filologia passou a estudar filosofia e a se identificar muito com ela. E a partir desse momento ele se assume como filósofo. No seu livro A Gaia Ciência Nietzsche declara que Deus está morto. E o que significa isso? O filósofo pré-socrático Tales de Mileto, século VI antes de Cristo, afirma que “tudo está cheio de deuses”. A partir daí, a partir dessa reflexão, ao ler muito os pré-socráticos, Nietzsche seja a conclusão que Deus está morto. Como assim?

 O pensamento platônico vai introduzir duas realidades de mundo. Um mundo que somos obrigado a viver e o mundo das ideias. Um é o mundo sensível e o outro o mundo das idealizado. Assim, no entender de Nietzsche, o cristianismo é um platonismo para o povo. Ele percebe que o "Deus" da religião é sem vida. É uma construção no imaginário humano, já dizia Feuerbarch. O cristianismo, enquanto religião trouxe uma grande desgraça ao entendimento de muitos. A religião cria um “Deus” a sua imagem e semelhança. E esse “Deus” criado pela religião está cheio de dogmas, carregado de interdições, um “Deus” fraco um “Deus’ que precisa  morrer mesmo.

 É justamente este “Deus” que Nietzsche matou. Todavia o Deus de sua fé foi revelado na sua oração Ao Deus Desconhecido:

Antes de prosseguir no meu caminho 
E lançar o meu olhar para frente 
Uma vez mais elevo, só, minhas mão a Ti, 
Na direção de quem eu fujo. 
A ti, das profundezas do meu coração, 
Tenho dedicado altares festivos, 
Para que em cada momento 
Tua voz me possa chamar. 
Sobre esses altares está gravada em fogo
 Esta palavra: "ao Deus desconhecido" 
Eu sou teu, embora até o presente 
Me tenha associado aos sacrílegos.
 Eu sou teu, não obstante os laços 
Me puxaram para o abismo. 
 Mesmo querendo fugir Sinto-me forçado a servi-Te. 
Eu quero te conhecer, ó Desconhecido! 
Tu que me penetras alma 
E qual turbilhão invades minha vida.
 Tu, o Incompreensível, meu Semelhante. 
Quero te conhecer e a Ti servir.  

Friedrich Nietzsche (1844-1900) em Lyrisches und Spruchhaftes (1858-1888). O texto alemão pode ser encontrado em Die schonsten von Friedrich Nietzsche Taschenbuch, Zurich 2000, 11-12 ou em F. Nietzsche Gedichte, Diogenes Verlag, Zurich, 1994.

Existencialismo de Heidegger (Filósofo Alemão 1889)


O filósofo alemão Martin Heidegger  é um  pouco complexo nas suas abordagens filosóficas, contudo tentaremos explicá-lo de maneira a mais didática possível.
Martin Heidegger foi membro do partido nazista, um filósofo muito respeitado, cuja principal obra dele é o Ser e o Tempo que vamos analisar aqui algum de seus aspectos filosóficos. No entanto, antes de falar sobre o Ser e o Tempo há pergunta que precisa ser feita: O que é metafísica? A metafísica de Heidegger é diferente do filósofos, tais como: Platão, Aristóteles, Descartes, que basicamente seria aquilo que está distante do mundo físico, aquilo que se encontra no mundo das ideias.
Existencialismo

Às vezes ouvimos a pessoas dizerem  que estão numa crise existencial muito grande. É bem essa a ideia. O existencialismo é uma corrente que trabalha a partir do homem com a sua relação como o mundo, com a sua relação com ele mesmo e com o seu interior. O existencialismo, portanto, se liga muito aos problemas que o homem vive no seu mundo exterior, na sociedade e que o afeta bastante. E aí? Qual é a causa de tudo isso que acontece ao homem enquanto ele vive?
O existencialismo não irá trazer resposta de autoajuda, pois esse tipo de coisa não faz parte da filosofia, mas vai tentar explicar sobre aquilo que torna a vida do homem angustiante. Martin Heidegger é um entre outros filósofos que vai explicar, através de uma abordagem, muito própria, o porquê do tédio e da angustia humana.

Só que agora surge outra pergunta que nos aponta para o pensamento heidegganiano que é : Por que há algo no lugar do nada? Se respondermos: “Tem eu!" já seria uma resposta. Mas... vamos continuar. Das quatro palavras negritadas, identificadas há duas aqui que precisamos compreender.

Há – Ser – é o que precede a existência
Algo – Ente – é o que se apresenta

O Ser precede  a existência e precede o Ente.

Heidegger contraria o entendimento de alguns filósofos que dizem que o Ser é um Ente a mais. Como percebemos ele separa essa ideia. Tais filósofos para ele não entenderam a essência do Ser.
O que é o Ente? É aquilo que se apresenta. Exemplos.: o relógio no nosso pulso, a caneta, o homem, a mulher, o gato, o cachorro etc,  tudo aquilo que se apresenta materialmente  é Ente.
Como se estuda o Ente? O ente é estudado de maneira científica. É um estudo ôntico. O ôntico é o existente múltiplo e concreto. Há coisas também que não vemos, mas que interferem nas nossas relações , como humanos, como por exemplo a gravidade.

Um cachorro, enquanto ente. Vamos fazer um estudo científico sobre o cachorro. A gente abre o cachorro e analisamos nele os seus sistemas, fisiologia ( funcionamento dos órgãos). Fazendo assim desvendamos as características do ente.

Ser – A filosofia de Heidegger diz que precisamos nos avizinhar do Ser. Para superarmos uma metafísica tradicional, precisamos nos aproximar de uma metafísica subjetiva. Aquela que eu me aproximo do ser.  Aquela que eu experimento o Ser. Só que este ser é um pouco confuso e difícil de nós encontrarmos.

Se o ser é aquilo que precede a existência, o ser tem uma natureza filosófica. A ciência não consegue explicar o ser, mas a filosofia, sim. Então qual pergunta faria sobre o cachorro? O que esse cachorro está fazendo aí? Esta pergunta é do filósofo e não da ciência.
O estudo do ser é um estudo ontológico. Nós temos uma necessidade de saber, de compreender o ser, a sua causa. Mas se perguntarmos e buscarmos através da metafísica de onde veio esse cachorro, qual a resposta que vamos ter? Ele veio do cruzamento de um cachorro e uma cadela. E esses cães que cruzaram, de onde vieram? de um cruzamento de outros cães anteriores a eles. E assim vai até chegarmos em Deus. Na filosofia, de Platão, de Aristóteles, Descartes, vamos encontrar como a origem de tudo, o primeiro motor, Deus. Sendo assim nós estaríamos diante de um estudo onto-teológico que não satisfaz o Heidegger.

Heidegger quer se aproximar do Ser, se avizinhar do Ser. Ele quer viver o Ser, enquanto experiência. Nessa busca de se aproximar do Ser, surge a necessidade da reflexão. Todavia, devemos considerar que a sociedade na qual vivemos é uma sociedade muito voltada para a técnica, muito voltada para a coisificação (res), muito voltada para a manipulação ( o homem manipula tudo a seu favor, inclusive o próprio homem). Esses três exemplos fez do homem muito utilitarista e banido da reflexão.  Isso quer dizer da dificuldade que o homem tem de refletir o ser, de refletir aquilo que está além do ente, aquilo que precede o ente.
Aquelas resposta que procuramos para atender as demandas das crises existenciais no homem estão o no Ser. Contudo, não conseguimos nos aproximar do Ser, isso em razão da capacidade de reflexão do homem está sendo banida, por aquilo que a Escola de Frankfurt vai chamar de razão instrumental, ou seja, a razão que eu só utilizamos como meio, como instrumento para atingir um determinado resultado. Isso se relaciona coma ideia do utilitarismo.
Heidegger quer superar a ideia da metafísica. Ele quer explicar a existência do Ser, não por meio da existência de Deus, nem de forma científica. Ele quer ir além disso.

Heidegger então percebe que esse utilitarismo faz com que as coisas façam partes de cadeias utilitárias. Exemplo: Para que serve um livro? Qual a utilidade dele? Um livro serve para ler. Para que eu leio? Eu leio para me instruir. Instruir-me para quê? Para trabalhar? Trabalhar para quê? Obseve que a ideia de livro está numa cadeia utilitária. O livro é um ente dentro de uma cadeia utilitária.  Quando a coisa está diante de uma cadeia utilitária essas perguntas não têm fim.
As cadeias utilitárias para o Heidegger que são responsáveis para que exista o tédio que vai contribuir com as crises existências. O ser desaparece na cadeia utilitária. É um mero ente. Como quebrar essa cadeia utilitária? Quando quebramos, rompemos com  a cadeia utilitária, ainda que seja em segundos, o ser aparece.

Imaginemos num almoço onde há  muita comida e dentre os vários alimentos expostos,  há também uma travessa de maionese. Um dos convidados, aproveitando a distração de muitos que ali estavam, mergulha um chocolate na maionese.  Por que essa pessoa faria isso? Naturalmente, se alguém encontrasse esse chocolate iria perguntar o que ele estaria fazendo dentro da maionese. Se for respondido sobre o chocolate numa cadeia utilitária, será dito que ele é doce, ao leite, saboroso, etc, isso é entediante , porque a resposta está numa cadeia utilitária. Mas ao encontramos um chocolate no fundo de uma travessa de maionese, a cadeia utilitarista foi quebrada.  O chocolate apareceu de uma outra forma. Foi gerada em torno do chocolate uma surpresa. Nesse momento que o chocolate surge no meio da maionese, não percebemos tão somente o Ente, mas alcancei e me avizinhei do Ser.

Cabe aqui a pergunta: Por que há algo no lugar do nada? 
Essa surpresa em identificar o chocolate dentro da maionese nos trará um breve momento de alegria. Ou seja, a busca pelo ser, a busca pela compreensão do ser nos traz momentos de alegria e aí conseguimos com essa ideia do tédio. A necessidade que se tem de conhecer o Ente e o Ser é superar a metafísica tradicional e de alguma maneira romper com o tédio que nos gera crises existenciais, nos aproximando do ser.
Heidegger fala também sobre a angústia. Ele declara que se o a pessoa não sabe o que veio fazer no mundo, não conseguirá viver de maneira feliz, digna. Isso, em outras palavras gera angústia . A angústia existe porque tudo o que vemos no mundo nos leva a incertezas.  Toda a paisagem que nos parece sempre tem fundos e mais fundos em torno daquela realidade. A vida em si promove muitas inseguranças, além das inseguranças e incertezas ela me traz valores complexos, ficando muito difícil tomar a decisão correta. Muito difícil saber o que é certo ou errado no memento da decisão a ser tomada. Isso nos gera angústia.

A angústia nos segue ao longo da vida e ela está aliada as decisões que precisamos tomar. Todavia há um determinismo do mundo natural. Por exemplo, uma mangueira dará manga e a manga madura irá cair, não tem como ser diferente. É um determinismo. A fruta que caiu está ligada a árvore. Temos aí uma cadeia de dependência.
Já nós seres humanos com o uso do livre arbítrio podemos diminuir a angústia, embora ela sempre vá existir, mas através do livre arbítrio podemos nos avizinhar do ser, nos aproximarmos dele.

Em 1927 Heidegger lança o seu livro O ser e o Tempo. Neste ele faz umas abordagens interessantes:
O humano enquanto ser, não como ente

O ser aí – A pessoa nasce coma necessidade de saber onde está pisando. Ou seja o que ele veio fazer no mundo. Essa é uma necessidade que todos nós temos. O ser aí é uma abordagem reflexiva que vai de encontro com as posições utilitaristas. 

No ser aí, a pessoa nasce e se questiona procurando um sentido para a sua existência.

O ser para o outro – Aqui se dá as relações interpessoais nas relações e morais e éticas uns com os os outros.

Ser para a morte – Não há outro caminho para o ser senão a final de tudo, da sua existência aqui. A morte é a coisa mais concreta e segura que temos no caminhar em direção ao momento derradeiro.  A morte é o mais provável para o ser, é o mais possível para o ser.


Édipo somos nós!


Sófocles foi um dramaturgo grego, um dos mais importantes escritores de tragédia ao lado de Ésquilo e Eurípedes. Sófocles, então que vai escrever uma versão sobre o Complexo de Édipo e Freud vai trazer, através desse mito, dessa tragédia do Édipo Rei (oidipus rex),  uma contribuição valiosa à psicanálise.
Tentaremos elucidar o que é homólogo na tragédia de Édipo com o percurso de uma análise. Para isso precisaremos aqui dar uma abertura maior  a fim de que se entenda  que o acontecimento em Édipo é um efeito de acontecimentos anteriores.

Lábdacos foi pai de Laios  e Édipo, filho. Então vemos que Lábdacos foi avô de Édipo e o Laios o seu pai. Faz-se necessário voltar para algumas gerações. Vamos localizar aquele que é o pai de Édipo e o pai do pai de Édipo, visando assim perceber o que vem acontecendo nessa trajetória até chegarmos no Édipo Rei.
Lábdacos em grego significa o coxo e Laios em grego significa o torto e Édipo (oidipus) em grego é aquele que tem os pés inchados.  A partir do significado dos três nomes compreendemos que esses homens tem um andar dificultoso, claudicante, um andar trôpego, um andar labiríndico, um andar manco. Um andar que dá mancadas. Então poderemos já ir percebendo que o Édipo é aquilo que nos pega pelo pé.
Lábdacos morreu por reprimir o culto a Dionísio. Na mitologia grega, Dionísio era o deus do vinho, pois possuía os conhecimentos e segredos do plantio e colheita da uva. Possuía também os segredos da produção do vinho.

O culto a Dionísio ocorreu em várias regiões da Grécia Antiga, chegando até Creta. Eram grandes festas ou encenações teatrais. A alegria, os prazeres da vida e os efeitos do vinho eram temas recorrentes nas festividades dionisíacas relacionadas ao prazer.
Na mitologia romana Dionísio era conhecido como Baco. De onde se origina a palavra bacanal.

Laios ainda muito criança, com a morte de seu pai Lábdacos é criado pelo seu tio lipous, provavelmente era uma pessoa obesa, em razão do seu nome parecer ter  o significados na sua raiz de lipídios, gordura.
Lipous por pertencer a dinastia e em sua luta pelo poder acaba sendo morto.  Laios que ainda será o pai de Édipo é levado rapidamente para outra região que é a Frigia, hoje a Turquia. Lá neste novo reino Laios é criado pelo Rei da Frigia chamado Pelops. 

Mais tarde esse Rei tem um filho com uma ninfa e esse menino é chamado de Crisipos. Este menino quando chega na sua adolescência passa ter como o seu professor, Laios. Em determinado momento Laios se apaixona por Crísipo nada que se torne escandaloso àquela época. Há todo um contexto antropológico cultural, fazendo parte da realidade daquela sociedade a relação entre iguais. Todavia, Pelops que confiou o seu filho a Laios ao saber que o seu filho Crisipos foi raptado por Laios para fins libidinosos, lança uma maldição: “Se tiveres um filho ele te matará e toda a sua descendência desgraçada será.” Laios ao ser amaldiçoado se dirige para Tebas onde fixará residência. Em Tebas ele se torna Rei. Ao assumir o trono Laios realiza bodas com  Jocasta.

Ao consultar os oráculos Laios é avisado que para Tebas se manter protegida em sua  autonomia e promissora nas decisões politicas, ele (Laios) não deveria ter nenhuma  descendência. Tanto Laios quanto a Jocasta tinham muito cuidado, evitando uma possível gravidez. Só que um dia Laios ficou bêbado com o vinho (aspecto Dionísico ) e através do efeito etílico, ele se descuida, engravidando Jocasta.

É aí que nasce Édipo. Laios temendo que a maldição sobre o filho que ao chegar a idade adulta o mataria, Laios enfia um ferro no pé da criança Édipo e dá ordem a um dos seus funcionários, um serviçal para matar a criança e larga-lo no monte abandonado a sua própria sorte. Esse serviçal fica sensibilizado encontra com outro serviçal de outra região que é Corinto e entrega a criança para esse serviçal que era um pastor.  Este pastor ao ver o menino com o pé atravessado por um ferro ele o nomeia esta criança por Oidipous (aquele que tem os pés inchados).  É a partir daí que a história de Édipo começará a fazer sentido através de um outro que o precede. 

A tragédia de édipo tem tudo a ver com o percurso dos acontecimentos que o antecederam.
Édipo  é levado para Corinto pelo pastor que ficou sensibilizado com o sofrimento da criança a entrega a um casal que cuida dele. Certa ocasião, Édipo já adulto, participando de um banquete ele escuta de um indivíduo que estava bêbado que ele, Édipo (Oidipous) era lastós, ou seja, ele era uma fraude, falso, sem  legitimidade. A partir daí ele fica incomodado com essa insinuação, então ele procura saber quem ele é. Quem sou eu? Pergunta édipo a ele mesmo. Provocado por esta indagação ele se dirige para o oráculo de Delfos. O oráculo ao responder, escandaliza até mesmos os lideres religiosos, presentes. Édipo escuta que ele mataria o seu pai e se uniria num intercurso sexual com a sua mãe.  Ele ao saber disso, se agita, se perturba em si mesmo, evitando retornar para a cidade de Corinto. Oidipous (Édipo) evita Corinto para fugir de seu destino. O interessante é que quanto mais ele foge do seu destino ele vai cada vez mais ao encontro do mesmo.

Em Corinto, ele se depara com um grupo de pessoas que vinham em suas carruagens, respectivas, e numa encruzilhada, há uma discussão que chegam as vias de fato. É nesse exato momento que Édipo mata Laios o seu pai. Após esse ato Édipo se refugia nas montanhas. Depois de algum tempo nas montanhas ele vai para Tebas. No caminho ele tem outro tipo de encontro.  Agora indo para Tebas ele tem outro encontro. Ele agora se encontra com a Fix ( esfinge). Fix é derivado de um verbo grego que significa asfixiar. Ninguém, jamais passaria  pela esfinge se não fosse capaz de decifrar o enigma proposto por ela, do contrário ela mataria asfixiados todos aqueles que não decifrassem o seu mistério enigmático.  Percebemos que o caminhar de uma análise tem a ver com o itinerário que conduz  um encontro com a esfinge.
O encontro de Édipo com a esfinge é o encontro com aquilo que asfixia, sufoca, tira a capacidade de respirar. Ninguém nunca havia conseguido responder ao enigma da esfinge, o que se conclui que todos foram asfixiados por ela.  A maneira da esfinge falar é obscura, abscôndita, de difícil acesso. Em razão disso que ela propõe o enigma para Oidipous:

O que é que tem dois pés sobre a terra, quatro pés e três pés e um nome só? Ou numa outra versão: O que é que de manhã anda de quatro pés, à tarde com dois pés e à noite com três pés? Oidipous consegue responder ao dizer que a resposta é o homem. Ele soluciona o caminho bloqueado, a esfinge sai do seu caminho e ela se lança no precipício. Mas Oidipous ao responder, o homem, ele está falando de si mesmo.
Quando a esfinge faz a pergunta ela fala sobre Tretrapous (quatro pés), depois Dipous (dois pés) e finaliza com Tripous ( três pés), a sonoridade dessas palavras tem a ver com Oidipous, porque a esfinge o inseria na pergunta. No processo analítico o interessante é conseguir se achar na pergunta. Quando Oidipous responde ser o homem a resposta dele está falando do próprio sujeito. 

Há uma pergunta feita por vários sujeitos a um Rabi sobre uma determinada mulher, flagrada, adulterando: “E tu o que dizes?” Observe que eles não se percebem na pergunta. A resposta do sábio Rabi fez com eles se vissem inseridos na pergunta, ao dizer: “Se vocês não tem o pecado dela atirem a primeira pedra.”
Retomando o caso Oidipous, ele é o sujeito que se depara com o discurso do seu inconsciente, fazendo ele perceber que a sua resposta tem a ver com ele mesmo, ao conseguir se ouvir tanto na pergunta quanto na resposta. O dizer sobre o sujeito está proposto em meio às perguntas, importando que o sujeito se escute em meio ao discurso.

Finalizando, concluímos em dizer que numa análise é importante observar a relação do sujeito no encontro com o outro ou outros, da mesma maneira daquele outro ou daqueles outros que precederam a Édipo. Na relação com o outro tem uma relação com a “esfinge”, isto é uma relação com o enigma a ser percebido pelo próprio sujeito.


quinta-feira, 15 de março de 2018


quinta-feira, 1 de março de 2018

O Pavor Colesterol
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Antes de mais nada fica aqui a informação que não sou médico nem nutrólogo. O artigo aqui escrito é resultado de pesquisa escrita e também, resultado de alguns vídeos assistidos, de algumas autoridades no assunto, que trazem ao lume, informações importantes à saúde humana, até então desconhecidas, e que em algumas situações, parece terem sido passadas de maneira errada por profissionais da área de saúde ao público assistido de maneira geral. Todavia, jamais estaria aqui com a intenção de discutir assuntos da ordem médica, como da medicina tradicional, por eu não ter cursado uma faculdade de medicina e também não ter feito uma faculdade de farmácia, não ter estudado nutrologia. Longe, de mim, tais pretensões para com aqueles que estudaram tantos anos, e se dedicaram muito e com determinação, ao propósitos de serem os profissionais formados e que merecem todo o reconhecimento e respeito nas funções que exercem.

Abaixo se encontram os vídeos com informação sobre o texto que se segue.

Ao fazermos alguns esclarecimentos sobre o assunto, precisamos, desde já, saber o que é colesterol. O que é o colesterol? Respondendo o que ele não é, saberemos o que ele é. O colesterol não é gordura. O colesterol não é produzido a partir de gordura, mas é produzido a partir do Acetil CoA .
Quando analisamos bioquimicamente a formação endógena de colesterol verificamos que grande parte é produzida através de uma substancia denominada acetil- coa. Mas de onde vem o acetil-coa? Vem justamente do metabolismo da glicose, ou seja, do carboidrato e é justamente aí que mora o perigo. Hoje sabemos que o grande vilão da história é justamente os carboidratos refinados que ingerimos exageradamente. São eles os grandes culpados pelo excesso de peso, pelo diabetes tipo II, pela dilslipidemia e pela formação de placa de aterosclerose, declaração da Dra Liliane Lemesim.

O colesterol é um lipídio, toda gordura é lipídio, mas nem todo lipídio é gordura. É assim com o colesterol. Mas então o que é o colesterol? O colesterol é um esteroide. O que são os esteroides? São hormônios e enzimas que interagem, cuja interação resulta na manutenção da vida. Os esteroides são hormônios produzidos pelo córtex da suprarrenal responsável por inúmeras funções no organismo.  O colesterol deriva de uma substância chamada ciclopentanoperidrofenantreno que não tem nenhuma gordura, não possui nenhum ácido graxo na molécula que o identifique como gordura. Por definição, o colesterol, é um álcool policíclico de cadeia longa, usualmente considerado um esteroide, encontrado nas membranas celulares e transportado no plasma sanguíneo de todos os animais. É um componente essencial das membranas celulares dos mamíferos. Esta é a definição que você encontra na Wikipédia. Perceberemos durante a leitura deste artigo que o colesterol é mais amigo do que inimigo. É mocinho e não bandido.
A informação tradicional parece ter assustado muitas pessoas por atribuir ao colesterol um perigo à vida humana, demonizando-o.

Numa vila Localizada em Massachusetts chamada de Framingham onde foi feito um dos maiores estudos de cardiologia do mundo, descobriu-se que as pessoas que morriam com infarto agudo do miocárdio tinham a taxa normal de colesterol ou colesterol baixo.  Qual seria a explicação para isso? O que é isso que se tem aprendido colocando o  colesterol como vilão? Ainda que o colesterol seja encontrado na "cena do crime", não significa dizer que ele é o responsável pela morte.
Como já disse o reconhecido médico cardiologista e nutrólogo, Dr. Lair Ribeiro: "O fato das pessoas solidárias com um carro em chamas na estrada, e cada uma delas estão com extintores, não significa que elas incendiaram o veículo. Assim é o colesterol que parece junto a artéria obstruída. Ele está ali para ajudar".

O que faz o entupimento das coronárias? A artéria,  no seu interior é formada por uma camada única de células chamada de endotélio. O endotélio de maneira silenciosa e crônica, inflama. Vale ressaltar que a palavra crônico vem de "chronos" do grego que significa tempo. O colesterol que aparece na cavidade da artéria é para ajudar como um anti-inflamatório, para corrigir o que está acontecendo por um determinado período, por um determinado tempo. Só que neste momento aparece na cavidade da artéria, macrófagos, cálcio, plaquetas e aí vai se formar a placa aterômica. Se a artéria não estiver inflamada pode passar por ali grandes quantidades de colesterol que não acontece nada a ela. Sendo assim, o colesterol nunca foi responsável por lesões arteriais, muito menos pelos infartos.

O órgão que mais produz coletsterol é o fígado. 90% do nosso colesterol é formado neste órgão. somente 10% do colesterol provém de fatores ligados à alimentação. O colesterol não vem das gorduras. As gorduras não geram colesterol. o que faz o figado produzir mais colesterol, além dos 90% são os carboidartos. As massas, os doces, açucares, farinha refinadas, levam o aumentam do colesterol e a inflamação do endotélio.
O colesterol é tão importante para a saúde que as membranas celulares (lipoproteinas) são feitas de colesterol. Grande parte do cérebro é formado por colesterol. A mielina dos nervos são formado por colesterol. Os hormônios esteróides são formados pelo colesterol. A vitamina D é feita a partir do colesterol.
Segundo alguns médicos nutrólogos há um perigo muito grande com as novas diretrizes que baixam o colesterol, a níveis toleráveis através de informações equivocadas, atribuindo-as como corretas. Por exemplo uma pessoa idosa não deve ter o nível de colesterol baixo. Um idoso com colesterol baixo entra demência precoce, Vai perder a memória, vai entrar em depressão profunda e o índice de suicídio com o colesterol baixo é muito alto. A estatística afirma que morre mais idoso com colesterol baixo que com colesterol alto, afirmam.

LDL e HDL
LDL é a sigla de Low Density Lipoproteins, que significa lipoproteínas de baixa densidade, também chamado de "mau colesterol". O LDL transporta o colesterol do fígado até às células dos tecidos e favorece o seu acúmulo nas paredes internas das artérias, diminuindo o fluxo do sangue, estando diretamente relacionado a doenças cardíacas. O LDL tem mais gordura que proteína. Mas como é mau colesterol se precisamos de colesterol nos tecidos e é ele que faz esse transporte?
Lair Ribeiro afirma que há onze tipos de LDL: moléulas grandes, médias, pequenas e as muito pequenas. Desses onzes tipos só dois poderiam ser chamados de ruins. São os muitos pequenos e pequenos. Eles oxidam mais e pentram mais na camada do endotélio.  Os nove tipos de LDL não são ruins, são bons.

O Dr. Marcos Natividade médico cardiologista e ortomolecular afirma numa entrevista (vídeo abaixo)  "não existe colesterol ruim", baseado numa informação passada por um bioquímico que foi o seu melhor da área professor na faculdade.
O Dr. Lair Ribeiro declara que não há diferença entre o HDL e o LDL. A diferença se encontra na veiculação proteica. O LDL veicula o colesterol do ficado para o corpo, enquanto o HDL do corpo para o o fígado.
O LDL pode ser bom, afirma. Às vezes a pessoa está com o LDL elevado, mas dependo do tipo de LDL (são onze tipos e somente dois são maléficos , ou outros nove são bons ou neutros) não há nada de errado no sangue. Se o LDL está elevado, cabe uma pergunta: Qual o LDL está elevado? Se ele estiver entre os nove não existe nenhum problema com a pessoa.  
HDL é a sigla de High Density Lipoproteins, que significa lipoproteínas de alta densidade, também conhecido como “bom colesterol”. O HDL é capaz de absorver os cristais de colesterol, que são depositados nas artérias, removendo-o das artérias e transportando-o de volta ao fígado para ser eliminado. O HDL tem mais proteína que gordura.

O HDL é chamado de “bom colesterol”, pois, uma vez que o indivíduo possui níveis elevados deste tipo de colesterol, ele pode se tornar um benefício, reduzindo o risco de doenças do coração.
Mas como surgiu esse pavor sobre o colesterol como um bandido, um vilão? Em 1784  o colesterol foi identifcado na bíli, por isso é chamado colesterol, vem de coli que siginifica visícula biliar. Após cem anos aproximadamente, um patologista polonês chamado Rudolf Ludwig Karl Virchow, ao examinar uma placa de ateroma encontrou colesterol numa artéria o que não significa dizer que foi colesterol que causou a placa, apenas o encontrou lá. Já em em 1913 um cientista russo chamado Nikolai Anitschkow, em St. Petersburg, Rússia, alimentou coelhos com colesterol e constatou alterações ateroscleróticas em suas artérias. Ora, o coelho é um animal herbívoro, logo não se alimenta de nenhuma substância animal. O colesterol pertence a classe de alimento animal e não vegetal. Não há colesterol no reino vegetal. Se o coelho que só alimenta de vegetal, como irá metabolizar o colesterol? Em  razão disso,  o coelho criou placa de ateroma na aorta e essa ideia se espalhou no mundo, tornando o coletesterol, um vilão.
Gordura insaturada/ saturada

Há muito tempo, e ainda esse conhecimento errado, permanece, que a gordurta insaturada é benéfico à saúde o que não é verdade. A gordura insaturada oxida com mais facilidade. Quando a gordura insaturada vai para frigideira ela se transforma em trans ao ser aquecida. Segundo estudos e pesquisas a gordura insaturada entraram no mercado em 1911. O primeiro infarto do miocárdio foi em 1925. Segundo a estática morreram nos Estados Unidos três mil pessoas com infarto e isso se deu em 1930. Esse índice vem crescendo assustadoramente, tudo, na maioria das vezes em razão dos óleos vegetais. Os óleos vegetais são gorduras insaturadas. Ao contrário dessa gordura temos a gordura saturada que faz bem ao organismo, exemplo: a gordura de porco, a gordura animal em geral, o óleo de coco, etc.
AS ESTATINAS. Sobre as estatinas há um vídeo abaixo muito esclarecedor. Segue abaixo diminutas informações sobre as estatinas que poderão serem vistas no vídeo do Dr. Lair Ribeiro.
Segundo pesquisadores a primeira Estatina a ser ingerida no mundo foi dada em 1959, chamada de Triparanol não permaneceu no mercado farmacêutico por ser responsável por cegueiras. Em 2001 surge uma outra estatina, chamada Cerevastatina causadora de várias mortes. A estatina colocada no mercado em 1987 chamava Lovastatina. Esta foi a primeira estatina aprovado pela FDA  dos EUA.

O lado escuro das estatinas
Na tradução de parte importante do traduzido do livro The Dark Side of Statins,  lemos:
Meus estudos, por mais do que na última década, revelaram lentamente os vários  mecanismos de ação das estatinas na produção de efeitos colaterais. Primeiro, aprendi sobre a inibição da droga de estatina do colesterol glial, tão vital para a memória.
Em seguida, com base em um estudo detalhado sobre o inevitável bloqueio de mevalonato de estatina associado à Coenzima Q10 e síntese de dolichol, aprendi sobre as conseqüentes neuropatias, miopatias e degeneração neuromuscular crônica.
E agora eu sei por que muitos dos efeitos colaterais das estatinas são permanentes e porque fraqueza e fadiga são queixas tão comuns. Muitas vítimas de estatinas dizem que abruptamente, quase em um piscar de olhos, eles se tornaram pessoas idosas...

Duane Graveline MD MPH
Former USAF Flight Surgeon
Former NASA Astronaut
Retired Family Doctor


Updated August 2017


Vídeos:

https://www.youtube.com/watch?v=TW-ng5BVy24

https://www.youtube.com/watch?v=_2aMXY6qVu0

https://www.youtube.com/watch?v=54ZVTVo1_Ds

tps://www.youtube.com/watch?v=0WGFS881ULE

https://www.youtube.com/watch?v=Ao3IgPKox4E

terça-feira, 25 de abril de 2017

HOMOSSEXUALISMO, HOMOSSEXUALIDADE E JUSTIFICAÇÃO


INTRODUÇÃO


Antes de fazermos as considerações sobre a homossexualidade, gostaríamos em primeiro lugar declarar que há uma diferença entre homossexualidade e homossexualismo e o que está por trás deste movimento.

O HOMOSSEXUALISMO

O homossexualismo é uma filosofia de vida, uma ideologia cuja tentativa é propagar uma idéia no mundo. Sendo uma ideologia pretende fazer a cabeça de muita gente. A ideologia visa assegurar uma determinada relação dos homens entre si e com suas condições de existência.

No homossexualismo a proposta é tornar aceita a ideologia que a união entre iguais tem a mesma proposta da união entre diferentes. Por isso e como cristão, nos colocamos categoricamente contrário ao movimento ideológico gay que é uma pregação contrária ao ideal de Deus. Contudo, a homossexualidade vemos sobre outra ótica.


A HOMOSSEXUALIDADE

A homossexualidade é um estado, uma condição não opcional. A homossexualidade possui um caráter irreversível, enquanto o homossexualismo é uma apologia ideológica. Uma tentativa de mudar paradigmas.

A HOMOSSEXUALIDADE NOS TEMPOS DE JESUS

Não encontramos nenhum relato bíblico sobre a homossexualidade nos tempos de Jesus, contudo, não se pode negar que a condição do homem sempre foi a mesma dos dias atuais. Seria uma grande tolice achar que nos tempos dele não havia homossexuais.

ADOÇÃO DE CRIANÇA POR HOMOSSEXUAIS

Se a criança já foi adotada não há nada a fazer nem dizer. O “evangelho legalista” talvez dirá: “manda para a FEBEM ou submeta-a a outro lugar.”

A criança deve ser criada como o pai e a mãe cria, com respeito e dignidade sem a ideologia sexista. Sempre indicando a ela o padrão de Deus: homem e mulher. O homossexual honesto ensinará a criança que a homossexualidade não é o ideal de Deus, e ao mesmo tempo informá-la que ser homossexual não é uma opção. A criança precisa entender como tudo isso acontece e aconteceu sobre a relação homo afetiva. A criança em momento algum deve ser enganada.

O HOMOSSEXUAL EUNUCO

Acredito que o homossexual pode se tornar um eunuco, assim como o saudoso Padre Henri Nowen autor de vários livros e homem de profunda espiritualidade e de vida piedosa. Lutou contra sua sexualidade acirradamente por te conhecimento que era homossexual. Muito embora a sua homossexualidade tenha sido conhecida por aqueles que eram próximos a ele, ele jamais deixou publico sua identidade homossexual. Apesar de Nouwen, nunca ter tratado do tema de sua sexualidade em seus escritos publicados durante a sua vida, ele reconheceu seus dilemas nessa área, em discussões com amigos isso foi abordado na biografia escrita por Michael Ford, jornalista da BBC, chamada O Profeta Ferido que fora publicada após a morte de Nouwen. Ford sugere que Nouwen se tornou completamente pacificado com sua tendência sexual nos últimos anos de sua vida, e que por um outro lado, sua depressão foi causada em partes por esse conflito entre seu voto de celibato e o sentimento de solidão e necessidade de intimidade que ele vivenciara. Ford conjecturou Isso se tornou um enorme jogo emocional, espiritual e físico em sua vida, e pode ter contribuído para a antecipação da sua morte.

Não há possibilidade de um eunuco homossexual deixar de ser homo afetivo. Não é o ato, a prática que caracteriza o que se é, mas o que sentimos e está intrínseco à subjetividade. Por exemplo: O mal que Paulo, o apóstolo, não queria fazer e continuamente estava praticando está relacionado a sua subjetividade e a incapacidade de vencer o que não desejava (Rm 7.19). Identificar o bem e querer fazê-lo e perceber o mal não querendo realizá-lo, mas optar por este e praticá-lo, evidencia que o gozo paulino se caracterizava em fazer o que aparentemente não se queria. Não há conhecimento do que levava o Apóstolo a tanto conflito, mas era uma luta entre querer e fazer enquanto aqui ele vivesse. Como exigir responsabilidade de quem não a possui e consequentemente interditado, na sua subjetividade, para realizar o bem desejado? O apóstolo se sentia sem o self-determination para decidir ao que desejava realizar. No dizer freudiano “o eu não é senhor de sua própria casa”

O homossexual cristão que não consegue a eunucocidade deve procurar ter uma vida com discrição, evitando trejeitos femininos, se requebrando, com a munheca prá lá e prá cá, isto é, evitando toda manifestação de bichice. Ele precisa respeitar a heterossexualidade, projeto de Deus. Para evitar situações de constrangimento na condição homossexual o homo afetivo sentir-se-á mais à vontade num ambiente eclesiástico que tenha uma aceitação flexível à realidade da sua homossexualidade.

UM PAI DE FAMÍLIA

Os princípios éticos e morais teriam o poder de determinar aquilo que o ser humano tem de ser? Como o homem conseguiria trocar a sua essência baseado em princípios que fogem completamente a sua capacidade de realizar? Vejamos o drama de um pai:

Um pai de família anônimo deu uma entrevista à revista Christianity Today de março de 2002, declarando a sua fé em Jesus, sendo ele um pastor, casado, com um casal de filhos maravilhoso e uma esposa magnífica, todavia ele era gay. Gay, não porque praticava o ato, mas porque sentia o desejo de se relacionar com outro homem, como fazia no passado. Ele era homossexual porque sentia não porque fazia, declarou. Vivia um enorme conflito entre realizar e não realizar.

Observemos então que se alguém considerar o praticar, o ato, como desvio moral nas condições desse pai de família, vale então ressaltar que a realidade não está no efeito e sim no sentimento. O praticar é tão somente a consumação do desejo. Por isso ele muito honestamente declarou ser por sentir o desejo. Teria esse pai a opção de não sentir esse desejo? Seria a homossexualidade uma escolha um querer de ser uma coisa para ser outra?

Certa ocasião um psiquiatra deu a seguinte declaração: “ Se alguém disser que já foi homossexual e que hoje não o é por ter sido curado através de um milagre, classifico-o como um grande mentiroso e ainda mais, ele nunca foi homossexual ele era um depravado”.

O Psiquiatra consegue perceber a diferença entre ser homossexual e ser depravado. Ele não está errado! Muitas das vezes são bastante parecidos, todavia, não são a mesma coisa. A homossexualidade não é doença, por isso não tem cura. Há patologias classificadas como incuráveis, entretanto, não podemos ignorar que milagres ainda acontecem. Deus não está morto! Contudo, nunca ouvi falar de homossexual convertido ao cristianismo que tenha sido “curado” ora, se não é doença, logo não necessita de cura. Segundo alguns estudiosos da esfera psicanalítica, o homossexualismo é um comportamento adquirido, por uma criança num período etário entre dois a cinco anos de idade, cuja presença do pai, avô, tio, ou seja nenhum referencial masculino foi por ela identificado, no âmbito familiar. Essa criança (menino ou menina) teve como contemplativo durante esses anos, a mãe, provavelmente as tias, avós, ou seja, todo um círculo feminino. A criança passará a ser o pai do adulto.

A METÁFORA DO FALO

A inexistência da representação onipotente metafórica do falo é vista pela psicanálise o aspecto gerador à homossexualidade. Mas o que seria isso? A criança na fase de 2 a 6 anos de idade que não teve a presença do pai, do masculino, interagindo, ainda que este estivesse no mesmo espaço geográfico. Segundo a teoria psicanalítica na maioria das vezes torna-se homossexual, tanto menino quanto menina a ausência paterna. A representação fálica, ainda que seja como metáfora, manifesta a ausência máscula não percebida pelo infante na faixa etária mencionada. Após o período de latência, termo este que significa o estado daquilo que se acha encoberto, incógnito, não manifesto, adormecido. Após esse período que vai até aproximadamente aos 11 anos, surge um novo momento o da puberdade. Neste período, a libido é impelida a se manifestar na busca daquilo que foi ausente durante os períodos de 2 a 6 anos de idade. Aproximadamente entre os 11 para 12 anos de idade o adolescente tende a procurar no outro, o falo ausente como necessidade da onipotência, da autoridade representada num membro viril, imposto e autoritário que o penetre como uma metáfora da ausência paterna. A homossexualidade nesse viés psicanalítico se resume na ausência onipotente metafórica do falo: o pai.

Alguns geneticistas, tentam através de pesquisas, encontrar na genética (do grego genno; fazer nascer), ramo da biologia que estuda a forma como se transmitem as características biológicas de geração para geração, a causa da homossexualidade. Contudo, encontramos aqui um questionamento a ser feito ao que concerne a relação biológica com aquilo que não se consegue vencer na subjetividade humana no dizer homossexual. A homossexualidade por não ser uma opção, estaria sob decisões genotípicas ou sob influências edípicas determinado por um comportamento adquirido?

TESTEMUNHOS

Qualquer testemunho em televisão ou rádio que alguém foi homossexual e agora não é mais porque crê em Jesus, não está baseado na verdade. Não existe ex-homossexual! Pode existir o ex praticante, mas não é a conjunção carnal que caracteriza a homossexualidade, mas a abscondidade subjetiva onde o conflito permanece frequentemente ao que concerne o desejo reprimido do querer praticar. Praticando ou não, a homossexualidade é. Não existe milagre para homossexualidade. Esta não é doença. Tanto a Organização Mundial da Saúde quanto ao CID 10 declaram que a homossexualidade não se encontra dentro do quadro das patologias.

Se o desejo do convertido ao cristianismo é pautar sua vida numa normose ético-cristã, cabe a ele ter domínio sobre o seu desejo. A conversão ao cristianismo não tem a intenção de pontuar o deixar de ser. Conversão não é sublimação. Conversão é ser o que Deus realizou. O desejo sempre será mais forte que a vontade. O conflito entre alguns homossexuais, assim como em outras esferas do comportamento será uma realidade, ainda que se evite a consumação de atos. Os desejos sempre serão reais no mundo subjetivo em qualquer ser humano. O ser humano é o que está sentindo, no momento que sente. A sublimação é um meio utilizado para mudar o rumo do desejo, só que ela não permanece por muito tempo. O que é, reclama a sua autonomia. Disse o francês Felipe Nériucault: Chasses Le naturel, Il revient au galop ( expulsai o natural, ele virá a galope). A heteronomia imposta sobre o subjetivo será transgredida ela não se sustenta. Como diz a letra do cantor Fagner: "Quando a gente tenta de toda maneira ter em si guardar sentimento ilhado morto e amordaçado volta a incomodar". O homossexualismo é um comportamento adquirido, ainda que a pessoa deseja não ser, continua sendo, o cristianismo tem ajudado a muitos homossexuais convertidos viverem melhor com seus conflitos, não prometendo curá-los. A homossexualidade não é doença, como já foi dito anteriormente, logo, não existe nenhuma método profilático para evitá-lo, a não ser a presença, do macho em família, interagindo saudavelmente durante os primeiros cinco anos de idade da criança, segundo a teoria psicanalítica.

Diz a Psicanalista Regina Navarros Lins:“Um homem homossexual é aquele que tem como objeto de amor e desejo outro homem, mas isso não significa que ele se sinta mulher ou deseje ser mulher. A orientação afetivo-sexual é algo que está dentro da pessoa e não depende, ao contrário do que muitos pensam, de uma escolha pessoal. Ninguém faz opção por um modo de vida que sabe será discriminado. A escolha é se a pessoa vai esconder ou exteriorizar a sua orientação sexual. Uma pessoa é homossexual mesmo que nunca tenha tido contato sexual com alguém do mesmo sexo. Muitas vezes o desejo homossexual existe no inconsciente, mas a pessoa não sabe disso porque o desejo é reprimido. Em outros casos, o homossexual percebe sua atração pelo mesmo sexo e reconhece que essa atração sempre existiu. Pode acontecer da pressão social ser tão forte que ele renuncie à realização dos seus desejos e passe toda a vida insatisfeito e mesmo em desespero."

Em nosso consultório, temos tido algumas experiências de realidades homossexuais, a dizer-nos que não gostaria de ter tal sentimento, tal desejo, mas que percebem a impossibilidade de uma reversão à uma postura hetero permanente e desejante do diferente. Lembro-me de uma situação que um analisando nos disse: “ Eu não desejo ser, mas sou. O que faço?”


SER OU NÃO SER

É contrário a natureza anatômica do ser humano a cópula entre iguais. O pênis apesar da sua função excretora também possui uma anatomia para penetrar na vagina ou o ânus, este último caso a mulher concorde e goste. Contudo, o pênis não foi arquitetado por Deus, para introduzir o ânus do homem, embora seja semelhante ao da mulher, contudo, a história da humanidade surgiu com macho e fêmea. Adão e Eva e não Adão e Ivo. Mas como já explicado acima, nos casos reais de homossexualidade deve-se haver uma compreensão ética sem os rigores da religião contra a homossexualidade de que é difícil ser diferente quando há um histórico subjetivo adquirido. Ele se alicerça e se concretiza, não havendo como mudar tal situação. Quem é realmente homossexual nunca será heterossexual. E quem é realmente heterossexual nunca será homossexual. Se aplica então a filosofia do filósofo pré-socrático, Parmênides ao dizer: “O que é, é! O que não é, não é!” Não entra em consideração a exposição sobre a bissexualidade, que deve ser vista sobre outro ângulo do comportamento humano, que não foi aqui considerado.

ROMANOS

"...porque as mulheres mudaram o modo natural de sua relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade..." (Rm 1.26,27).

Há aqui algo importante a ser considerado. Os versos acima deixa claro a prática do comportamento homossexual entre mulheres e homens, contudo, não sendo eles homossexuais, mas devassos e corrompidos. Fazemos essa afirmação porque eles se relacionavam heterossexualmente. Os verbos acima em vermelho, evidencia a depravação. Os homossexuais não se sente atraídos pelos de sexo diferente. Contudo, vimos acima aquele pai que conseguiu formar uma família, mas sofrendo na sua realidade subjetiva, o conflito do PARECER-SER para a sociedade, o que NUNCA FOI. Ele age como hétero sendo homo. Diferente da situação que se encontra em Romanos 1. Neste tanto homem quanto mulheres deixam o uso natural, ora, eles permitiram fazer uma troca temporária. Ou seja, os cônjuges se relacionariam com iguais, por uma questão meramente depravatória, não sendo eles homossexuais.

"Porque as mulheres mudaram o modo natural de sua relações íntimas" "deixando o contato natural da mulher" Havia um conhecimento e intercurso heterossexual. Enfatizamos nos versos acima que há comportamento homossexual, isto é, relação sexual entre iguais, entretanto eles não eram homossexuais e sim depravados. O homem se relacionava com a mulher e a mulher se relacionava com o homem. Elas mudaram o modo natural de suas relações íntimas assim como os deixaram o contato natural da mulher. Logo, está muito evidente a promiscuidade, dos que faziam uso do meio natural para depravadamente se envolver numa relação homossexual sem que eles fossem homossexuais.

Há entre os homossexuais a dificuldade de aceitar o diferente. Em Romanos 1 está evidente uma relação de intercâmbio, de troca sem a existência de homossexualidade, mas de um sentimento perverso e pervertido.

JUSTIFICAÇÃO E INTERPRETAÇÃO MINUCIOSA DE I COR. 6.9-11

“Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus?Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus” (I Cor. 6.9-11 ARC).

"Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós; mas vos lavaste, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus. (I Cor. 6.9-11 – ARA).

"Vocês sabem que os maus não terão parte no Reino de Deus. Não se enganem, pois os imorais, os que adoram ídolos, os adúlteros, os homossexuais os ladrões, os avarentos, os bêbados, os caluniadores e os assaltantes não terão parte no Reino de Deus. Alguns de vocês eram assim. Mas foram lavados do pecado, separados para pertencer a Deus e aceitos por ele por meio do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus” (I Cor. 6.10-11- NTLH)

"Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus?" (I Cor. 6.9) . Quem não herdará o reino de Deus? Os injustos.

Quem são os justos? "Não existe justo, nem um só" (Rm 3.10) Então não existe nenhum ser humano que seja justo? NÃO! E aí como fica? Não fica! Só há justificados!

"Justicados, pois mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 5.1).

Quem são os injustos aqui nesses versos aos corintianos que Paulo classificou?

Em primeiro lugar, os injustos são os que não crêem, logo, não são justificados. Vejamos como o apóstolo classifica-os:

"nem imorais, idólatras (não unicamente as imagens em escultura), nem adúlteros (adultério tanto objetivo quanto subjetivo - praticado e desejado), nem ladrões (aqui se enquadra vários tipos) efeminados (neste caso são efeminados por serem depravados ou foge a capacidade de ser diferente?) homossexuais, etc.

"e estas coisas alguns de vós têm sido..." ( I cor 6.11). Algumas traduções como vimos acima diz: " tais fostes algum de vós" ou " éreis alguns de vós" e "alguns de vocês eram" Essas três traduções finais vão de encontro com a realidade do texto de I Cor. 6, numa tentativa de desfocar a verdade do seu contexto caracterizado por um moralismo ético religioso.

"mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus" (I Cor 6.11 parte conclusiva do verso). Além de santificados, justificados.

A conjunção adversativa “mas” que aparece no verso 11 não concordaria jamais com o sentido frasal “tais fostes” ou “ éreis alguns de vós”. A conjunção coordenativa adversativa possui a função de estabelecer uma relação de contraste entre os sentidos de dois termos ou duas orações. Logo, a tradução correta do texto com relação ao seu contexto é: "e estas coisas alguns de vós têm sido..."

Justificados no texto grego de I Cor. 6.11 é um verbo: aoristo do indicativo passivo efetivo. Isto quer dizer algo que se consumou na vida do cristão para sempre, reafirmado pela voz passiva que o verbo se encontra, ou seja, o sujeito sofre à ação, sendo assim, ninguém é justo, mas passa para a condição de justificado "em o nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus"

Os injustos que praticam os atos mencionados ou subjetivam não herdarão o reino de Deus.

Os justificados que praticam ou subjetivam as mesmas práticas, herdarão o reino de Deus. Entretanto, no v.12 do capítulo 6 de I Coríntios, lê-se: “Todas as coisas me são lícitas mas nem tudo me convém”

“ Boa parte das energias humanas são investidas no esforço da autojustificação. E, no entanto, quem acha que deve produzir a si mesmo facilmente acaba na frustração e no desespero. A justificação liberta o ser humano da necessidade de salvar a si próprio, bem como a tentação de condenar a si mesmo.”. Brakemeier

No livro, O Ser Humano em Busca de Identidade de Gottfried Brakemeier, lemos:

A justificação coloca minha relação com Deus um novo fundamento. Deus se torna relevante como quem, mesmo contra a recusa da sociedade, confere o direito de viver: ele me torna justo. Põe em ordem minha relação com ele, perdoando-me a culpa e readimitindo-me como filho ou filha. O Deus justificador é aquele que ‘da cova redime a tua vida e te coroa de graça e misericórdia’ (Sl 103.4). Ele dignifica o ser humano. Quem levar isto a sério só pode alegrar-se e louvar a Deus. O evangelho não só concede o direito à vida, ele também dá fundamento à vida e liberdade para viver. Ensina a gratidão pelo dom recebido e o respeito à vontade divina. Justificação por graça, acolhida na fé, dá início a um novo culto a Deus.

CONCLUSÃO

A justificação é o ato divino de nos substituir, de assumir a nossa culpa e tomar o nosso lugar  (Lucas 18.13).


sábado, 11 de maio de 2013

Dia das Mães (In Memorian) 




Sempre vou me lembrar dos seus olhos verdes,

Que me infundiam esperança pra caminhada.

Como esquecer os passeios ao locais floridos de que você tanto gostava?

Nunca o sol se punha no Ocidente sem que eu a tivesse beijado, lembra?

Você foi minha maior incentivadora nos estudos.

E sempre me encorajava quando eu cogitava desistir.

Por isso dediquei todos os meus diplomas, merecidamente, a você.

Ainda me sinto tocado por sua desmedida ternura e seu amor pelo belo.

Herdei de você o gosto pelas artes, especialmente a música e a poesia.

Longeva e lúcida você, aos noventa, ainda recitava de cor longos poemas,

Proeza que jamais chegarei a igualar.

Sabe? Sinto orgulho da mulher que você foi; obrigado, querida!

Você me ensinou o que nenhum dicionarista poderá jamais explicar:

O definitivo significado da palavra “mãe”.

Lembro das suas vigílias esperando minha chegada;

E de quando você me surpreendia com a comida de que eu tanto gostava.

Com sua partida, os céus se enriqueceram mas minha existência empobreceu.

Consola-me sabê-la aos pés Daquele por quem você viveu;

E consola-me ainda mais a inabalável certeza de que um dia estaremos juntos novamente;

E relembraremos felizes as aventuras vividas neste mundo de Deus.

Até lá sentirei a inescapável batida da solidão na porta da minha saudade:

Saudades de você, querida mamãe!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O QUE TEMOS VISTO




Do ponto de vista anatômico e fisiológico, a visão parece ser o mais simples dos sentidos. Certa ocasião dando uma aula sobre a Fenomenologia  ilustrei que numa noite de luar um homem ao dirigir-se para sua casa, achou ter visto outro escondido atrás de uma árvore. Receoso que pudesse ser assaltado retornou ao local de onde saiu e pediu auxílio a alguns amigos, que lhes acompanhou até o tal arbusto. Ao investigarem o local, perceberam que o clarão, projetado pela lua num galho da árvore, fez um formato de um homem. Fica aqui uma pergunta: Ele viu um homem atrás da árvore? Sim, viu! O percebível é existente. Ele estava lá? Não. Mas ele viu! Percebe-se que ao olharmos para uma mesma coisa não temos o mesmo retorno.  Então a visão não é tão simples assim. Ver o mundo é muito complicado. Não basta ter bons olhos para ver. “Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores”, dizia Alberto Caieiro.  William Blake certa ocasião declarou: “A árvore que o tolo vê não é a mesma árvore que o sábio vê”. Bernardo Soares também declarou: “Não vemos o que vemos. Vemos o que somos”. O que vemos é o mundo arranjado à nossa imagem e semelhança.
Uma companhia de cerveja colocou um divertido e inteligente comercial na televisão. Um rapaz entra num bar. No bar tudo é sinistro. As pessoas são tipos-mal-encarados. O barman é feio e grosseiro. O rapaz olha desconfiado para os lados. Pede uma cerveja. Dá um gole, e então, o milagre acontece: Tudo se transforma.  O bar fica alegre, todo mundo sorri, e o barman carrancudo se transforma numa moça linda. A teoria que está implícita no comercial é que agente vê segundo o que carregamos dentro de nós e isso se aplica a tudo na vida.
Há momentos na vida que agente olha para o outro e acha que está falando da gente e contra agente, por algum motivo que a minha consciência culpada me remeteu. Pode ser que o outro nem esteja pensando nisso. Mas na minha imaginação está falando de mim e quer me prejudicar de alguma forma. Meu ser se altera. Escondo-me.  Escondo-me de que?  Agente vê o que queremos ver. Há um gozo por de trás dessa visão maldosa da vida. A visão por ser particular é única do olhar.  Foi isso que aconteceu com o operário, do poema do Vinícius de Moraes. O operário via tudo mas não via nada, até que um dia ele conseguiu ver o que não havia visto:
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão -
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção
(...) Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

Fairbairn disse num dos seus textos que a vocação da psicanálise era exorcizar demônios. Não sei por que desta declaração, talvez porque os demônios tenham o poder da cegueira, mas afirmamos que a psicanálise é uma teoria sobre a cegueira e uma busca da experiência que faz os olhos abrirem. Para que as pessoas possam ver, em meio às coisas que sempre viram no seu cotidiano sem ver e vejam fragmentos de um paraíso perdido. Quando isso acontece (exceto quando há insistente resistência) o ser da pessoa tende a se transformar, porque lhe é acrescentado uma nova ótica, uma nova dimensão e um novo sentido à vida.  


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

LUTO




Escrever sobre o luto é algo apaixonante, porque nele podemos perceber, que na ausência do que se perde há dois sentimentos que se antagonizam o amor e a insatisfação. Nessas oscilações que conflitam com o nosso subjetivo, manifesta que o ser que amamos é o aquele que mais nos insatisfaz .Quando amamos uma pessoa, amamos sempre um ser híbrido, constituída de uma pessoa exterior em nosso convívio e pela sua presença fantasiada e inconsciente em nós. Como diz Rubem Alves: “Amamos uma pessoa não por aquilo que ela é, mas pelo manto de fantasia que a cobrimos” Certa ocasião a namorada falou ao seu namorado e escreveu no talão de cheque dele: “ eu te amo” e outra ocasião ela escreveu em pedaço de papel: “O amor surge de situações singelas e tão significativas que se perpetuam. Espero que nós dois estejamos sempre repletos de singelezas” Momentos de expressões e sentimentos categoricamente sinceros manifestos por ela. Tanto ele quanto ela se amavam.


Numa situação de muita beleza e esplendor, parecida “Lua de Mel”, distante de tudo e de todos, os ânimos se acirraram e aí veio o fim. Foi um começo muito lindo e um fim inadjetivável de dor e sofrimento prolongados em desafetos numa ilha onde o verde da mata e o azul do mar se intercambiavam diante dos olhos.

Um alfa sem ômega, era o amor naquela “Lua de Mel” que de repente tornou virada  insatisfação. Ela diz agora para ele: “ tudo acabou entre nós”. Daí em diante as coisas ficaram cada vez mais piores, havia uma inconformação de ambos os lados. Cada um com o seu motivo. Foi algo surreal, extremamente doloroso e de excessivo desequilíbrio. Ele se desestabilizou por não aceitar o luto. Para manter viva aquela relação, a luta, o litígio ainda que consciente da gravidade, era inconsciente da parte dele, o desejo da não orfandade. Contudo, as coisas só pioraram e tudo morreu, ou seja, houve um fim relacional entre ambos. O silêncio fúnebre se estabeleceu. Surge então a dor do luto. O que é o luto? O amor no luto permanece? O luto é manter vivo aquilo que já morreu.


A ressurreição só existirá à saudade que naquele momento existia! Ou seja o “morto” que não convive mais na mesma geografia, que vivia com seu ou sua amado (a), retornasse ao mesmo espaço ou de um ou do outro. No Réveillon deste ano de 2009, numa praia em Cabo Frio, um jovem disse para mim, que estava sofrendo muito há dois anos pela ausência da namorada que havia morrido. Ele afirmou: “Ela dentro de mim está viva porque eu ainda a amo”.
 Os acessos de dor que pontuam o luto são impulsos de um amor tenaz que se recusa a morrer.  O luto sendo a ausência, daquilo que se perde, não inviabiliza o amor. Toda e qualquer decisão para apagar o luto, usando de elemento substituível trará frustrações. Pois o amor ainda permanece.


O luto não se apaga em pouco tempo. Parece que é o que aquele jovem tem evitado, não mascarar o seu sentimento, dissimulando uma inexistência do passado não conformado e ainda presente!


Como diz Násio: “a saudade é uma mistura de amor, dor e gozo: sofro com a ausência do amado e gozo ao oferecer-lhe a minha dor”.


Freud declara que “Não se consegue vencer o luto, talvez porque seja verdadeiramente um amor inconsciente”.“


"Mesmo dolorosa, a lembrança do nosso amado perdido pode suscitar o gozo de oferecer nossa dor como homenagem ao desaparecido. Amor, dor e gozo se confundem aqui. Continuar amando o morto certamente faz sofrer, mas esse sofrimento também acalma, pois ele faz reviver o/a amado(a) em nós”.