quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A SEVERA VOZ DO DEVER


“Sabendo que, se a nossa consciência nos condena, maior é Deus do que a nossa consciência, e conhece todas as coisas” (I João 3.20).
Queremos nesta oportunidade falar sobre a consciência do cristão e o que deve ser feita com ela, quando relacionada as imposições da lei e dos modelos de sistemas eclesiais viciados.

A Consciência

Para iniciarmos precisamos dizer que a função acusadora da lei frente a consciência  deve ser vista à luz da justificação pela fé.  O pecado que a lei revela e acusa é precisamente o pecado do sistema proposto pela CONSCIÊNCIA. A ideia de que existe um caminho da virtude pelo qual a voz acusadora poderia ser silenciada através do moralismo religioso é produzido pela lei da CONSCIÊNCIA em aflição de culpa.
Já que se crê que a salvação é pela fé, muitos sistemas eclesiásticos seguindo o modelo moralizante –religioso, exigem dos membros eclesiais (crentes) a evidência desta salvação através das obras, surgindo daí a tirania do comportamento.Uma violência a saúde emocional, psíquica dos crentes.
A consciência precisa ser vista à luz da fé. Cristo quem deve reinar a CONSCIÊNCIA. A lei, em absoluto, cabe aí. É preciso calar a CONSCIÊNCIA com a fé.
A CONSCIÊNCIA e a severa voz do dever insistirão em dizer aos crentes que isso é BARATO DEMAIS, FÁCIL DEMAIS, intimando aos crentes a voltarem para a batalha pela virtude, a fazerem novos propósitos na vida, num ciclo vicioso até que eles percebam que esses exercícios não produzem nenhum efeito, pelo contrário, adoecimento espiritual e emocional.
 Sucumbir a essa voz da CONSCIÊNCIA significa precisamente perder o foco de Cristo e retomar ao próprio eu. Isso acontece todas as vezes que os crentes entram na batalha pela virtude. Como se Deus precisasse de ajuda. O crente pecador, tem as suas características, sua hereditariedade, tem as demandas da infância, tem suas idiossincrasias, tem suas dores do passado, marcas e demandas residuais que não serão resolvidas por reformulações viciadas de tomadas de decisões frequentes na busca de santidade. Ou ele crê que Deus o tirou da terra do Egito e da casa da servidão (Êx. 20.2) e que para o Egito não volta mais, ou ele crê que ele pode sair com a força do seu eu, seu superego familiar, social, cultural que o engana dando-lhe a sensação que irá vencer com suas próprias forças as demandas que habita a sua alma. Ledo engano! Vai sucumbir. O script que vem escrevendo na busca, na busca, na busca do sobrenatural (em vez de ser um crente natural), com certeza o jogará  no chão de maneira trágica.
A lei precisa ser expulsa da CONSCIÊNCIA por Cristo e, em fé, manter a lei distante da consciência. Lei e CONSCIÊNCIA não fazem os crentes melhores. A CONSCIÊNCIA não reflete ordem nem constância. Ela é insaciável, volúvel e arbitrária. É a consciência que faz o crente achar que o Espírito Santo o está convencendo de algum pecado. O Espírito convence o mundo do pecado , da justiça e do juízo. Este é o ministério do Espírito: sobre o mundo e JAMAIS sobre o crente.
Do pecado, porque não crê em Jesus; da justiça, porque Jesus iria para o Pai e do juízo, porque o príncipe deste mundo está julgado (João 16.5-11). Logo, não tem nada a ver com o crente em Jesus Cristo. Todavia, essa falácia de interpretação é produzida pela lei CONSCIÊNCIA.
A consciência não representa a presença de Deus em nós, ma a sua ausência, quando estamos entregues a nós mesmos.
O mundo segundo o reformador Martinho Lutero torna-se pequeno demais por causa da consciência. É a lei moral interior que aflige a consciência. Um farfalhar de uma folha seca que nos aterroriza quando alguém ou nós mesmos pisamos sobre ela (Lev.26.36). Nos assustamos! Assim é a consciência sob o domínio da lei e da tirania exercida sobre o comportamento. 
Não se pode admitir em nenhuma hipótese que a lei faça aliança sacrílega com a consciência. Isso é maldade de um sistema histórico e enganador. Não se deve confundir essa prática com o EVANGELHO. Fazer isso seria absolutamente covarde e perverso.
A lei e a consciência não nos induzem a sermos pessoas melhores. Nunca seremos. O evangelho é a vinda do novo. Cristo ocupa o seu lugar na consciência. A lei tem de ser expulsa. Do contrário vive-se outro evangelho, da perversidade, das regras, do policiamento, do patrulhamento na vida dos que creem em Jesus com suas limitações emocionais, sendo objetos muitas das vezes de condenação, porque os que procedem assim, com acusações vivem um evangelho não vindo do céu, mas do homem. Um evangelho diabólico com cara de santidade..

AOS QUE CREEM EM JESUS, COMO ERAM E O QUE ACONTECEU COM ELES?

“Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Ef. 2.5,6)

Vejamos os verbos no pretérito e uma geografia.
A nossa condição era de morto e fomos vivificados (em vermelho v.5). Foi nós que nos vivificamos ou Deus nos vivificou? Responder a esta pergunta estaria subestimando a sua inteligência. Morto não tem como se vivificar. Morto está morto. Até aqui ok!
Outro pretérito é o verbo ressuscitar (em vermelho v. 6). Fomos ressuscitados juntamente com Ele. Qual geografia nos encontramos na ótica do Senhor? Assentados em lugares celestiais NÃO COM CRISTO, MAS EM Cristo. Isto é no mesmo lugar que Ele está. Lugar EM.
Sendo esta a nossa condição, precisamos enxergar que a consciência precisa ser substituída pela fé de vivificados e ressuscitados e que não estamos mais sob o jugo da lei que aflige e angustia a consciência gerando nela vícios de permanentes repetições e reconsagrações que nenhum homem manterá por muito tempo. Razão da declaração de Paulo ao se perceber impotente e sem arbítrio para agir ao contrário quando declarou:
“O bem que quero fazer não faço, mas que não quero faço continuamente” (Rm 7.19).
Quando então isso é compreendido pela fé, começamos finalmente a ver que nossa corrupção e depravação não consistem  em cair de alguma altura moral e espiritual, mas em aspirar a tais alturas baseados em nossa própria força e virtude achando que vamos conseguir com vãs repetições de entrega. Se Ele não fizer por nós, não conseguiremos fazer nada.